sexta-feira, 27 de fevereiro de 2015

um segundo


Um dia me disseram que eu tinha sido culpada por algo que me aconteceu. Não por uma bobeira, algo leve ou passageiro, mas sim por algo triste e doloroso, que já tinha me feito chorar por dias, meses a fio, tentando me reencontrar e me reerguer e sobre o qual eu não poderia ter qualquer tipo de controle ou reação. Lá pelas tantas, quando estava conseguindo voltar a respirar com alguma leveza no coração, veio a cacetada. A culpa foi sua. 
Custei a acreditar no que estava ouvindo, aquilo não era possível. Me desesperei, gritei, implorei por um pedido de desculpas. Tudo o que eu mais precisava ouvir era que aquilo tinha sido falado em um momento de explosão, sem pensar. Mesmo sabendo que tinha sido incubado, pensado e vomitado na minha cara, eu ainda assim esperei por dias, queria acreditar. E, claro, não ouvi nada. Pior, comecei a agir como se a errada fosse eu, como se tivesse que me desculpar! Maluquice das brabas, sim. Mas precisei chegar nesse nível de dor para tomar uma atitude de amor por mim mesma. Aquilo me dilacerava por dentro. A cada vez que me lembrava, o que tinha acontecido e as palavras voltavam a me cortar, sem anestesia. E doía. E eu chorava e me sentia impotente. E tentava seguir. Não conseguia me afastar. Mas aconteceu. Em um flash. Em um segundo. Em um segundo, eu me vi como uma pessoa que merecia amor, respeito, verdade, vontade. Em um segundo, eu vi o quanto me desvalorizava, me rebaixava, me submetia a situações que nada tinham a ver com meu coração, com a verdade que eu sempre acreditei como guia e norte da minha vida, com o amor saudável e forte e bonito em que eu acredito. Em um segundo, aquilo não fazia mais sentido nenhum. O símbolo, o lugar, as palavras, nada mais fazia sentido. Estar ali, naquele momento, ouvindo aquelas palavras, não fazia mais sentido. Nenhuma palavra mais fazia sentido. Podia ser o pedido de desculpas, mais uma mentira ou declaração. Não me interessava mais, a chave havia sido desligada finalmente. E foi somente quando absolutamente tudo perdeu o sentido diante de mim, é que me vi renascendo. De um jeito torto, com machucados abertos e cicatrizes profundas, mas renascendo.
Buscamos tanto um sentido racional para vida que esquecemos de que às vezes é preciso que todos os sentidos se percam para nossa verdade transbordar e nos inundar completamente do sentir verdadeiro. Voltei a sentir. A viver. A ser, tão e simplesmente, eu mesma, com qualidades, falhas, bondades, maldades, alegrias e tristezas, com a simplicidade que eu acredito. O olhar vazio não fazia mais parte de mim. A avaliação enviesada não fazia mais parte de mim. A competição desenfreada não fazia mais parte de mim. Os elogios vazios não faziam mais parte de mim. A vida, aliviada, começou a me retribuir. Aos poucos, com pequenas alegrias, com sorrisos sinceros, com realizações cotidianas e singelas. Com força, gratidão e muito esforço, a vida me botou de volta nos eixos. Obrigada, vida, eu ainda vou te retribuir em dobro, pode acreditar. Pode acreditar!




Amor e verdade sempre!
Telma De Luca

tentar

Encantar, desencantar, encontrar, desencontrar, encerrar, iniciar, sair, chegar, tentar, outra vez, emocionar, chorar, sorrir, vestir, despir, viajar, voar, sonhar, tentar, outra vez, imaginar, escrever, repensar, apagar, despedir, voltar, abraçar, beijar, tentar, outra vez, chover, sorrir, cantar, calar, descer, subir, esquecer, lembrar, tentar, outra vez, abrir, fechar, amar, amar, dormir, acordar, querer, desistir, tentar, outra vez. Vontade, verdade, coragem. Enquanto elas vivem (e sempre hão de viver), tentar, outra vez.








Amor e verdade sempre!

Telma De Luca

terça-feira, 24 de fevereiro de 2015

tem amor



Tem amor que nos tira da casca, do sério, do rumo, da certeza e nos põe só no rumo da alegria, do sorriso e do êxtase. Tem amor que é certeza, chega calmo, manso, pé ante pé no corredor à meia-luz, se aconchega no sofá do sala, na mão dada no cinema, no abraço na noite da fria. Tem amor que nunca acontece, cresce nas possibilidades, se fortalece na imaginação e morre sem ter vivido. Tem amor que nasce, cresce e se embeleza com a maturidade. Tem amor que mal nasce e busca outros rumos pelos céus alaranjados do nascer do sol. Tem amor que nasce, cresce e, apesar de todos os esforços, não toma corpo e "sustância" para sobreviver por mais. Tem amor que faz as madrugadas ganharem cor. Tem amor que torna as manhãs ativas e saudáveis. Tem amor que se entende na mesa do bar. Tem amor que divide a xícara de café. Tem amor que compartilha o pacote de jujubas de adolescentes eternos. Tem amor que é bom. Tem amor que é ótimo. Tem amor que é sublime. Tem amor que é supremo. Tem amor que demora a se encontrar. Tem amor que dá asas, pés e caminhos. Tem amor que brilha os olhos. Tem amor que brilha o corpo. E tem o nosso. Amor, e tem o nosso.




Amor e verdade sempre!
Telma De Luca

segunda-feira, 23 de fevereiro de 2015

cartas






Todas as cartas de amor que escrevemos, em todos os idiomas e épocas, cheias de coisas bonitas que só ganham vida quando a gente ama, querem dizer "você é importante para mim". As mil maneiras, as mil palavras, músicas, letras, lembranças e suspiros, todas são nossas pequenas cartas de amor secretas e meio tímidas.
São nossas cartas de amor cotidianas e singelas, que independem de meio, mas nunca de destinatário. Independem de forma, mas nunca de vontade. Independem de sabedoria , mas nunca de sentir. Até mesmo as cartas tristes, de alguém que se importou e com lágrimas nos olhos fez chegar ao outro todos seus medos, angústias e sentimentos de fracasso e desilusão, ainda mais uma vez, são de amor. 
A dor nos desnuda e mostra nossas almas frágeis e vulneráveis de um jeito ruim e triste. O amor nos desnuda e mostra nossas almas frágeis e vulneráveis de um jeito bom e leve. No nosso mundo cheio de gente perfeita e infalível, é preciso coragem para se desnudar. E muita vontade para gerar o calor que vai nos proteger quando tudo ficar frio demais.

Amor e verdade sempre!
Telma De Luca

sexta-feira, 20 de fevereiro de 2015

patéticos

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Eu sou melhor do que você, não sabia, não? Sou, sim. Eu tenho filhos, você não. E eles são perfeitos, precisa ver. Eu trabalho no que amo e você tem aí esse seu emprego meia-boca e um quarto de salário. Eu sei amar de um jeito melhor, mais profundo e intenso do que você, sabia? Eu aceito tudo, sou paciente, compreensiva e amorosa. Sempre. Sim, o meu jeito é o mais certo e verdadeiro, mas a humanidade toda ainda se perde na sua santa ignorância, coitada. Ainda há de evoluir. Eu sou seguro, aceito todos os desafios da vida de peito aberto, choro, respiro fundo e já era.Assim, rapidinho, umas gotinhas, pá pum. Próximo! Tenho um chefe que me respeita, uma família que sorri em todas as fotos e não tem dor de barriga, piolho e nem mau hálito de manhã. Eu sou melhor do que você, lembra? Não sinto medo, prefiro me arrepender pelo que fiz do que pelo o que deixei de fazer. Sempre. Ciúme? Eu? Nunca, isso é coisa de fracos. Dúvidas? Sei muito bem o que quero da vida, sempre soube. Nasci sabendo, não lembra?  Eu falo “gratidão” como quem respira, porque eu sou mais evoluído do que você, sabia não? Gratidão por me reverenciar, aliás. Não sinto inveja de ninguém. Nin-guém. Nunca senti inveja na minha vida. Não sei o que é isso. Eu sorrio de manhã para os pássaros, para as flores, para os cães e para as crianças. Ah, e para os velhinhos na fila da aposentadoria e do pão. Todos os dias. Raiva? Só por motivos nobilíssimos. É que eu faço i(ô)ga com um mestre que mudou minha vida. Namastê pra você. Abraço causas como quem abraça árvores no parque às seis da manhã, com alegria e devoção. Sentado no sofá, defendo os golfinhos, crianças, a Mata Atlântica, animais abandonados, o retiro dos artistas. Egoísta, eu? Nunca, meu espírito é mais nobre que o seu, se esqueceu? Não, não, eu não sou mentiroso. A mentira é só um detalhe que me escapa às vezes, até porque a verdade é relativa, não é mesmo? Meu mestre sempre diz isso. Eu sou politicamente correto, reciclo lixo, ando de bike, tenho até amigo gay, olha só, como eu sou bacana. Ah, tenho amigo negro também, para você ver como eu não tenho preconceitos mes-mo. Tenho varanda gourmet, SUV e celular da maçã, mas esse seu apartamentinho até que é bem ajeitadinho, querido. Do que você está rindo? Aliás, como você consegue sorrir sem ter os dentes brancos como os meus? Se quiser te dou o contato do meu personal dentist, ele é um arraso e já deve ter voltado de Punta. Quer?




Amor e verdade sempre!
Telma De Luca

doses

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Inaugurou mais uma farmácia ali na esquina. Na sua esquina, na minha, na esquina de casa, do trabalho, abriu mais uma farmácia. Grande, iluminada, aberta 24 horas. Ah, as maravilhas da sociedade moderna...mais gente doente, mais gente sem dormir, mais gente tomando anti-depressivos, mais gente trabalhando gripada, com febre e se achando muito competente por causa disso (até comercial falando isso tem, pode prestar atenção). Não coma glúten, nem lactose, nem açúcar, nem ovo, mas não se preocupe demais com sua auto-imagem, afinal, não somos reféns do que essa sociedade quer nos impor, não é mesmo? Emagreça para o verão. Mesmo que você não queira e nem precise, emagreça. Aliás, como assim, você não quer? Nossa, mas que absurdo essa modelo ser tão preocupada com o corpo, não? Se tirar o glúten, a lactose, o ovo e o açúcar não resolver, tome esse remedinho, minha amiga tomou e perdeu 15 quilos em 20 dias, é milagroso. Vamos, tome. Não consegue dormir direito, está preocupado com prazos, problemas e família? Tome esse remedinho, não vai fazer mal, umas gotinhas e você dorme tranquilo, tranquilo. Vamos, tome. Vamos, se é para sentir, que seja só amor e felicidade. O que  doer, anestesia. Não se alimenta direito? Tirou o glúten, a lactose, o ovo e o açúcar e ficou desnutrido? Não tem problema, tome cápsulas de multi-vitamínicos, de a a z em cinco línguas, e seu problema está resolvido. Vamos, tome. Sim, os remédios avançaram, tem muita gente que realmente precisa deles e das restrições para viver melhor, mas será que não estamos exagerando na dose de aditivos artificiais para uma vida mecânica e sem falhas? No tempo desse texto inaugurou mais uma....opa, será que lá vende o que eu tô precisando?




Amor e verdade sempre!
Telma De Luca

quinta-feira, 19 de fevereiro de 2015

bom amor




Tem gente que vive de procurar amor no outro. Você conhece alguém assim, eu conheço alguém assim. Procura, incessantemente, pelo amor "merecido". Pula de galho em galho, de relação em relação, dá e recebe migalhas de atenção, esperando que, enfim, "o grande amor da sua vida" apareça e reconheça a pessoa incrível que é e ninguém percebeu antes. Será ele? Será ela? Repetem ad infinitum, na fila do cinema, na sala do novo curso, na rua, na sorveteria, na espera do embarque.
Acredita que o amor é mágica, que aparece e torna todo esforço desnecessário, todos os defeitos toleráveis e até bonitinhos. Que o amor é elixir da juventude, da saúde, da sanidade mental. E entram em relações pela metade, aos terços, aos quartos, aos trancos. Entram para buscar redenção e felicidade. Entram para que lhes supram de carinho e atenção. Entram sem conhecer a si mesmo. Buscam a cereja do bolo. A estrela do topo da árvore. O que lhes falta para completar a vida. Hum, tá faltando amor na minha check list de pessoa perfeita e socialmente feliz. Vamos lá então. E no jogo maluco de saciar vontades, vale tudo. Mentir, dissimular, fingir desejo, vontade, reciprocidade. O vale-tudo da roleta do amor. Se fazer amável, atraente, gostável, útil. Buscar semelhanças, gostos, criar a personagem amorosa ideal. Preencher vazios, completar frases, imaginar pensamentos alheios, se fazer presente full time para demostrar amor.
Tristemente, não percebem que quem está aberto para o amor e para a vida, não está esperando nada e nem ninguém. Não tem listas mentais para completar, nem pré-requisitos a preencher. Não tem serviço de RH no coração para ver se o candidato está apto para a vaga porque sabe que ela é dinâmica demais para que se encaixem nela. Sabe que a vaga vai exigir disposição e disponibilidade dos dois lados para ser capaz de gerar frutos e crescimento. Sabe que para permanecer naquele coração, a vaga terá de ser conquistada com honestidade, trabalho duro e cotidiano. Sabe que a vaga conquistada com currículo mentiroso não dura o suficiente nem para esquentar a cadeira e arrumar a bagunça da mesa. E sabe também que, quando bem conquistada, essa vaga se tornará vitalícia, mesmo que já não esteja mais nela. O bom amor não resolve nada, só vivifica e engrandece o que já está feliz. Anda do lado debaixo da chuva, se espreguiça junto debaixo do sol, preenche madrugadas insones até com silêncio. O bom amor acontece entre duas pessoas dispostas, de peito aberto para a vida. O bom amor nasce da verdade. O que nasce da vontade é necessidade, não é sentir. E eu só quero sentir.




Amor e verdade sempre!
Telma De Luca

quarta-feira, 18 de fevereiro de 2015

prometo




Eu te prometo mundos, fundos e mais um pouco. Companhia, amor, silêncio e palavras. Mas não me peça pra deixar de ser eu, pra não respirar e me transformar em você. Isso eu ainda não sei fazer, vai ver é culpa do meu signo, do meu ascendente ou da minha lua. Ou minha mesmo. Não me peça pra me tornar o que não sou, pra falsear só pra agradar ou pra dizer tudo aquilo que você precisa ouvir. Não me peça comunhão total de bens e de almas. Não sou boa nisso, sabe. Como não sou em muitas coisas, aliás. Vai ver você possa me ensinar algumas. Vai ver eu posso te ensinar outras. Mas não me peça pra deixar de ser eu. Não me peça pra ligar quando eu preciso ficar sozinha. Não me peça pra gargalhar quando eu estiver em silêncio. Conte com a minha solidariedade, amizade, lealdade, amor, cumplicidade. Mesmo que eu não repita isso todo dia, acredite. Te peço, acredite no que eu não falo. É que às vezes eu não sou boa nessa coisa de falar também.


Amor e verdade sempre!

Telma De Luca

sempre






Do espaço do sonho com uma ruela florida, debaixo dos olhares cúmplices e felizes de amigos queridos, com a música que sai do imaginário e toma forma de alegria,emoção e lágrimas pra abençoar a vida renascendo esperançosa. Dos pequenos sonhos açucarados em flores e jarras de água fresca. Do sorriso tímido e infantil atravessando o longo caminho de intermináveis dez metros ouvindo ohs e ahs de fofura e admiração. Da mão que se entrelaça firme e decidida, sem espaço para dúvidas e senãos. De palavras bonitas escritas a várias mãos e que não dão conta da realidade ainda mais bonita, honesta e singela do que a oração que toma forma. Um agradecimento. Do sonho, da verdade, da imaginação. Nesses tempos esquisitos e duros, de medos estampados e amores difusos, há que se ter tempo e espaço pra sonhar. Sempre há.




Amor e verdade sempre!

Telma De Luca

bote fé


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Sabe assim, acho que, no fundo, amar é questão de fé. É acreditar no que não se pode ver, é sentir o que não se pode tocar, é esperar, sinceramente, que o céu e a terra se unam em uma comunhão que multiplica e abençoa todos os que estão nas proximidades entre o aqui e o infinito.
Sabe assim, acho que, no fundo, amar é questão de acreditar. Em si, no outro e na vida. É não deixar a vida se tornar cínica e amarga, como o café que esfria na garrafa térmica porque não tem ninguém com disposição para fazer outro novo e quente. Porque se bobear a gente deixa o estômago se acostumar com o gosto ruim e acaba por aceitar e achar normal e até saboroso o que antes causava dores terríveis. 
Sabe assim, acho que no fundo, amar é questão de aceitar. É prestar atenção ao sorriso meio bobo que nos dão, é não esperar mundos, fundos e mais um pouco em papéis e diálogos predeterminados. É aceitar a gente com um monte de inseguranças e medos e histórias. É leve e forte, é intenso e calmo, dá vontade de viver e acordar e seguir adiante. Dá alegria, divide sorrisos, madrugadas insones. Divide o pão, o café, o cafuné e o frio. Multiplica a esperança, os sonhos e os caminhos. Tenha fé, bote o pé, que o amor quando é bom, simplesmente é.



Amor e verdade sempre!

Telma De Luca

possibilidades

Vivemos dentro das possibilidades
Do beijo que pode virar casamento
Do abraço que pode virar reencontro
Do passo que pode virar o caminho

Da flor que pode virar amor
Do livro que pode virar carinho
Do vinho que pode virar bem querer

Vivemos fora das possibilidades
Do beijo que virou lembrança
Do abraço que virou despedida
Do passo que virou descaminho

Da flor que virou adubo
Do livro que virou poeira
Do vinho que virou vinagre

Vivemos dentro e fora das possibilidades
Mas quem sabe as certezas ficarão
As certezas, se é que existem, 
Possivelmente, ficarão.



Amor e verdade sempre!

Telma De Luca

patchwork




Medo de bicho que aparece do nada, de ficar sozinha, de não ter dinheiro, de não ter companhia, de ter companhia e continuar sozinha, de ter filho e não dar conta, de não ter filho, de deixar a vida passar trancada no escritório enquanto o mundo de transforma, de ser engolida pela rotina enfadonha e repetitiva, de ser triturada pelas raivas que já acumulou, de não dar todos os sorrisos que gostaria, de não adotar todos os cachorros, crianças e causas que deveria ou poderia, de não dar todo o amor que às vezes se sufoca em pânico, de ter medo de ter medo de amar, de amar e não ser amada, de não amar quem a ama, de não ser capaz de amar, de amar demais, de amar e perder, de perder, de sentir saudade demais, de não sentir saudade, de sentir inveja, de sentir frio, de endurecer demais, de amolecer à toa, de não tomar todos os porres, de se manter sóbria demais. Os medos são nossas dores que tomam outras formas. São nossas histórias que resolveram cicatrizar de um jeito meio esquisito. São nossos remendos costurados um a um, a cada decepção, passo em falso ou desacreditar. Remendos podem ser benfeitos, igual àqueles cerzidos quase imperceptíveis das meias de antigamente. Ou podem ser tantos e tão extensos que formam uma grande capa de proteção à nossa volta. Uma colcha de patchwork que parece nos proteger do frio lá fora, mesmo quando o frio está no dentro. É preciso coragem para se desnudar dessas meias, dessa capa, dessa colcha. Pra deixar chegar o frio, o calor, o querer. E a coragem também toma várias formas. Quem sabe essa coragem vai chegar na forma do amor que vem para acolher, acalmar e entender. Quem sabe vai chegar no modo de ajudar aos outros. Quem sabe vai chegar intempestiva e mandando tudo aos ares com bananas de dinamite. Quem sabe será paciente e delicada como as tesourinhas de costura com bico de passarinho que desfazem cada ponto dessa costura com carinho e zelo, a cada novo passo, novo fazer, novo acreditar. Cada um que precisar, há de rasgar suas capas desnecessárias, há de se aquecer lá dentro, há de encontrar sua coragem. A seu tempo, a seu passo, mas há de encontrar.


Amor e verdade sempre! 

 Telma De Luca

pode ser

Um blog pode ser a maneira que nos mostramos ao mundo. Pode ser a nossa verdade. A nossa máscara. Nossas personagens em palavras. A crença de que o mundo pode ser um lugar melhor. Pode ser a intenção. Pode ser a ação. O desabafo. A coragem. A covardia. A estima. O conhecimento. O passatempo. O tempo. O recurso. O meio. A mensagem. O espaço. Ou só palavras.

Bem-vindo. E não repare na bagunça, ainda estou me aprendendo.