segunda-feira, 30 de março de 2015

revelia






Eu sempre achei que essa história de "tu te tornas eternamente responsável por aquele que cativas" era meio bla bla bla de historinha-lição-de-moral. Como se a admiração dos outros por nós acontecesse totalmente à nossa revelia, a expectativa alheia não fosse responsabilidade nossa  e ponto.
Acontece que, em quase cem por cento das vezes,o começo da coisa não é bem assim. A primeira admiração pode não ter nada a ver com a gente, mas a decisão de alimentá-la é nossa, sim. Um pode estar sossegado no canto dele e o outro resolve que vai mostrar como ele é incrível, afinal. E a dança começa, veja só, veja só, como sou bacana, mesmo quando, lá dentro, sabemos que aquilo é um mero exercício egóico.
Normal, cada um deixa as coisas caminharem até onde pode, todo mundo é adulto bla bla bla. Será mesmo? Quando vejo notícias de gente tão incrível sofrendo a escuridão da depressão não consigo deixar de pensar o quanto vivemos num mundo onde as pessoas se conhecem superficialmente, sabem três coisas do outro e pensam ter a situação toda sob controle. Sabemos mesmo o que se passa com as pessoas na solidão de seus quartos iluminados por seus smartphones e tablets? Sabemos o que estamos alimentando com nossa pseudo-amizade e atenção automatizada? Não sabemos quase nem de nós mesmos, que arrogância imaginar que conhecemos alguém em meia dúzia de palavras, fotos e posts engraçadinhos, não? Por isso, em primeiro lugar, não penso nem em mais amor aos outros, mas em mais responsabilidade ao lidar com sentimentos alheios. Olha que isso é tão mais fácil e ao alcance de nossas atitudes cotidianas.... 
Bora ser menos levianos uns com os outros? É um bom começo pra um mundo realmente mais amoroso e compreensivo. E não só da boca (ou do post) pra fora.

Amor e verdade sempre!
Telma De Luca

domingo, 29 de março de 2015

heróis

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Quando a gente é criança, quer ser super-herói para salvar os outros de todos os perigos mais perigosos do mundo todo de todos os planetas do sistema solar. Daí a gente cresce, descobre milhares de outras profissões (além da de super-herói, é claro) e começa a rabiscar planos, sonhos, metas. Tristemente, um pouco menos ambiciosos do que salvar o mundo. No guardanapo do bar, no bloquinho, na tela do celular. Rabiscos, esboços, desenhos, plantas baixas dos nossos projetos de vida. Até perceber que quando a gente olha só pra eles, se esquece de pensar o que é sucesso ou fracasso pra nossa alma. O que é realização ou pura sobrevivência. De sentir o que é sorriso lá do fundo ou mero mostrar de dentes. De pensar quando a ambição vira qualidade ou defeito. De perceber que amor pode nascer na alma ou dentro do peito. De notar que o pássaro canta de alegria e de sofrimento. Que o bebê ri de alegria ou puro medo. Que amizade pode ser identificação, afinidade ou profundo encontro de almas. A gente pensa, sente, percebe, até ter coragem de apagar rabiscos, sonhos e metas sem sentido e começar a redesenhar algo que nos traga de volta à cor. Na página já meio gasta de tanto passar a borracha e com a sombra dos desenhos antigos sempre aparecendo, a gente recomeça. Com mãos de criança pegando o lápis pela primeira vez, a gente sempre recomeça.

Amor e verdade sempre!
Telma De Luca

sexta-feira, 27 de março de 2015

tecidos

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Confiar. Tecer fios de compreensão, cumplicidade e amizade. Fiar novelos de amor, respeito e sensibilidade. Com fios de esperança, eu sigo. Encontrando olhares sinceros, eu sigo. Confiando, eu sigo.


Amor e verdade sempre!
Telma De Luca

quinta-feira, 26 de março de 2015

o mentiroso - Carpinejar


Hoje eu me aproprio do texto de Fabrício Carpinejar, perfeito e exato na sua descrição. É sempre bom ler e entender que nossa cabeça e nosso coração não são "exigentes" demais, "certinhos" demais...apenas querem compartilhar a vida com alguém que pense a vida de maneira semelhante! 


Arte de Victor Bregeda

Já convivi com uma mentirosa. Lembro que foi a pior experiência de todos os meus romances, a mais ingrata e a mais assustadora. Porque só sei do meu amor, não sei o amor que recebi. Não há nem despedida, a mulher se desintegra.

O falso e o verdadeiro se misturam e não mais definimos o que aconteceu.

A mentira corrompe, inclusive, o que foi honesto. Não sobra lembrança intacta.

Prepotência e megalomania disfarçam recalques e insegurança.

Mas não sinta pena do mentiroso. Ele não tem emoção. Ele trai um pouco por dia até não sentir mais nada. A mentira desenvolve a dissimulação, a frieza e o oportunismo.

São cyborgs da paixão, robocops da ternura.

Quem mente durante muito tempo anula a censura, não sofre com culpa e remorso, como acontece com as pessoas saudáveis.

A mentira é natural quando logo desfeita. Mas a que perdura esconde outras mentiras. Uma mentira nunca está sozinha. Aquele que mente na relação mente para a família mente para o trabalho mente para os amigos. Será uma mentira generalizada, sob o risco de surgir versões conflituosas.

E não acredite no arrependimento sem tratamento. A mentira é um distúrbio psicológico sério. O mentiroso também mentirá o perdão e a conversão súbita.

Não há como permanecer junto. É um duplo desgaste: conversar é conferir e desconfiar.

No relacionamento, a verdade é a base da convivência. Para ouvir e dar conselhos, para cuidar e ser cuidado, para acolher e ser acolhido.

Sem lealdade, não há casamento que fique de pé, não há amizade que fique sentada, não há sedução que fique deitada.

Casar com um mentiroso é viver duas vidas. Uma vida em que você acredita enquanto está junto. E uma vida totalmente desmentida pelos outros no momento em que você se separa.

O mentiroso tem regras. Apresento algumas delas, rezando para que não encontre nenhum desses replicantes em seu cotidiano:

- O mentiroso narra sua vida em ordem cronológica, para se convencer e não se perder no caminho. Guarda datas e horários de acontecimentos. Transmite a ideia de que sabe o passado de cor e possui o dom da memória.

- O mentiroso mente olhando nos olhos. Mas repare: sua boca é dura para falar. Não contrai os lábios ou ri daquilo que viveu.

- O mentiroso, quando pego em flagrante, dá um desconto em sua mentira. Ou seja, não desmente tudo, desmente parte. Para soar fidedigno o arrependimento.

- O mentiroso apenas conta a verdade em parcelas, de acordo com evidências fortes.

- O mentiroso é temperamental no momento das brigas, não sustenta a discussão. Ofende, desliga na cara, xinga, sai correndo, bate a porta. A passionalidade é uma proteção.

- O mentiroso tentará lhe convencer que você que é um mentiroso. Para se igualar. Desde o início da história de vocês.

- O mentiroso joga a culpa em sua companhia. Qualquer dúvida é loucura de sua parte, ciúme, obsessão, com objetivo de interromper a investigação. Terminará o relacionamento várias vezes quando se aproximar das incoerências.

- O mentiroso odeia ser interrompido, não é um bate-papo normal, esconde-se na educação. Primeiro fala e depois escuta. Todo mentiroso é educado demais.

- O mentiroso odeia excesso de perguntas, fica nervoso. Parece que deseja preservar sua privacidade, mas apenas não tem como se expor.

- O mentiroso tem surtos de euforia, não apresenta uma alegria constante, um humor estável. Ele está mais entusiasmado quando acabou de mentir.

- O mentiroso teme todos que mencionam seu nome. Cria intrigas para dispersar o círculo de confiança de sua companhia.

- O mentiroso descreverá histórias tristes de sua infância, destacará alguém próximo que mentiu e o quanto sofreu com as distorções.

- O mentiroso não tem amigos de vida inteira. São amigos episódicos, de fases, do trabalho e de festas, que somem e desaparecem.

- O mentiroso jamais emprega a autocrítica. Suas piadas se referem aos demais.

- O mentiroso dificilmente permanece por mais de um ano num emprego.
- O mentiroso esquece suas atitudes e condena as consequências. Como se as reações negativas fossem desvinculadas de um mal anterior, criado exatamente por ele.

- O mentiroso é moralista, defende a lealdade e a integridade, e costuma dizer que nunca mente. Ele ataca para não ser descoberto. É capaz de fazer um escândalo diante de uma mentira, como se fosse a maior aberração.
- O mentiroso não gosta que você crie laços próprios e independentes com a família dele e com seus conhecidos: "é minha mãe, é meu pai, é meu amigo, não se meta". Assim pode manipular à vontade.


Amor e verdade sempre!
Telma De Luca

quarta-feira, 25 de março de 2015

curriculum?

abstract canvas art


Seja de manso ou avassalador. Pé ante pé ou com o pé na porta. Inseguro ou cheio de si. Tímido ou extrovertido. Com sorrisos ou cara fechada. Lindo ou nem tanto. Viajado ou não. Cheio de histórias para contar ou cheio de histórias para escrever. Trazendo muita bagagem ou ainda fazendo as malas. A gente não se apaixona pela pessoa pronta, pelo curriculum que ela nos entrega nas mãos. Olha, eu sou isso aqui, me aceita para a vaga?
A gente se apaixona é pelo som das palavras, mesmo que elas sejam tontas. A gente se apaixona é pelo brilho dos olhos de quem ainda sonha. A gente se apaixona pelo sorriso sem-graça que chega no meio da conversa entre dois estranhos. Pelo silêncio de quem está buscando uma pergunta espirituosa para quebrar o gelo. Pelo olhar bobo de quem está ainda meio perdido por ali. A gente se apaixona pela quentura da mão. Pelas possibilidades que existem para aqueles dois corações juntos. Seria fácil pegar curriculum, cadastrar no banco de dados reserva, acessar quando desse vontade e pum! relacionamento feliz formado. Mas o amor é imponderável, é vontade de conversar mais, de saber mais, de construir juntos, de criar novos sonhos, é tanta coisa que a gente nem sabe o que é. Amor é cavar o caminho a quatro mãos, é replantar o jardim, é cuidar da grama e das árvores com a mesma boa vontade. Amor é repintar a casa quantas vezes forem necessárias. É consertar o telhado quando vem a chuva forte. É botar no colo quando a dor chegar. É não ter vergonha da fragilidade que nos toma de assalto tantas e infinitas vezes no meio da noite, do dia, da tarde. É ter ciúme mesmo não sendo ciumento. É redesenhar sonhos, planos e vontades todos os dias.
A gente não rasga nossa vida anterior quando volta a amar, quando se dispõe a botar o pé na estrada de mãos dadas de novo. Tudo o que somos está ali, latente, em cada gesto, em cada palavra, em cada lembrança, em cada música. Mas achar que tem um curriculum irrecusável nas mãos é coisa de quem vê o amor como negócio de troca simples e banal, resultado de fórmulas matemáticas, algoritmos, checklists. Ou de quem vê relacionamentos como relações de poder. É coisa de quem desistiu de sonhar, de crescer, de aprender, de acreditar. Eu valorizo mais um freelancer apaixonado pelo que faz do que um contratado que só sabe esperar pelo salário no final do mês e pela aposentadoria no final da vida. A vida é mais feliz assim.



Amor e verdade sempre!
Telma De Luca

segunda-feira, 23 de março de 2015

respeite-se

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Pensei em escrever para uma pessoa querida “não fique assim, vai passar”. Mas aí me lembrei que não existe nada pior do que alguém falar como se nosso problema fosse óbvio ou simples demais de ser resolvido. Então, acho que o melhor a dizer seria “sinta tudo que te machuca, entenda o que te faz mal, chore o quanto for necessário, mas procure não se desesperar, porque uma hora vai passar". Respeite-se. Perceba que você merece coisas boas, mas nem sempre as tais das "coisas boas" são as nossas coisas idealizadas. Abra-se para novas oportunidades. Não aceite pouco ou migalhas de sentimentos. Não dê pouco ou migalhas de sentimentos. Não esteja com alguém só por estar, a menos que isso realmente não te faça mal e não machuque quem está diante de você. Não fique esperando ser escolhido, você também tem de escolher quem pode entrar e, mais ainda, quem pode ficar na sua vida. Às vezes somos chatos demais, fazemos picuinhas demais, reclamamos demais. Não dá pra ser assim o tempo todo, do mesmo jeito que não dá pra ser bobo-alegre o tempo todo.Peça colo, peça ajuda, peça desculpas, peça por favor. Dê colo, dê ajuda, dê desculpas, faça um favor. Tome um sorvete, um chopp ou faça bolhas de sabão. Respire fundo quando o medo chegar. Agradeça pelo que tem e por tudo que já conseguiu fazer. Procure entender as pessoas. Elas também sofrem, também sentem medo, também se sentem sozinhas e tristes tantas e tantas vezes. Transforme o medo de perder em tempo de amar. Nada disso acontece em um passe de mágica e nem tudo a gente vai conseguir fazer, mas a gente também tem de aprender a se olhar no espelho com respeito. E se tiver de apertar o CTRL+ALT+DEL e reiniciar mil vezes, faça. Sempre é tempo. Sempre.


Amor e verdade sempre!
Telma De Luca

sonhos


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Porque tem dias em que a gente acorda sonhando com a casa bonita de jardim na frente e árvores no quintal pra ouvir passarinhos cantando logo cedo e no final da tarde. Pra servir de cenário pra festas dos amigos e das crianças, com muito brigadeiro e bolo de chocolate e bexiga cheia de boa vontade e carinho. Pra servir de cenário pra histórias de florestas encantadas e duendes e vaga-lumes. Pra servir de refresco nas noites de calor e pra fazer fogueira nas noites de frio. Pra tomar banho de mangueira e correr atrás do cachorro esbaforido, peludo e desajeitado que nem se fosse uma bola com patas tentando escapulir da brincadeira brincando ainda mais.
Tem dias em que a gente acorda sonhando. E vive sonhando. Até que uma hora realiza. E nascem outros sonhos. E outros. E outros.


Amor e verdade sempre!
Telma De Luca

sexta-feira, 20 de março de 2015

serena



Tem dias em que a gente pensa sobre gratidão e raiva. Amor e saudade. Dor e renascimento. Paz e guerra. Tem dias em que todos os sentimentos se misturam se combinam e se despedem, tudo assim, ao mesmo tempo e nunca. Aqui e agora. Nunca e pra sempre. Tem dias em que a nuvem vem, encobre o dia bonito, mas, teimosa que sou, escolho olhar para a nuvem. Tem dias em que o sol vem quente e apaziguador e eu escolho sentir seu calor. Tem dias em que vem a chuva e nesses, ah, eu escolho sentir o cheiro da terra. E tem uns dias que não tem jeito. Cinzas, azuis, úmidos ou secos, quentes ou frios e eu só quero meu casulo. O céu está lá e eu não vejo, a nuvem está lá e eu nem reparo, o sol esquenta e eu nem sinto, alguém passa e eu nem quero saber quem é. Se a vida fosse linear, talvez fosse chata. Se fosse o tempo todo circular, talvez tivéssemos a sensação de não sair do lugar. A vida é sábia, é esperta, é sagaz, é serena. Mas nem sempre a gente percebe, perdidos atrás de disfarces ou correndo atrás de euforias eternas.



Amor e verdade sempre!
Telma De Luca

segunda-feira, 16 de março de 2015

super-heróis

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Desejo ouvidos amplificados que me façam capaz de escutar o outro. Olhos com visão além do alcance para enxergar o que me dizem sem falar. Uma boca com dosador de doçura e acidez para que eu saiba aconselhar. Mãos com força extra para que eu consiga ajudar. Pés firmes e flutuantes que me ajudem a atravessar o caminho. Fé consciente para ajudar a contornar os obstáculos que não conseguir retirar. Amor no coração para compreender todas as diferenças. Saúde de ferro para realizar todos os sonhos. Um pincel extra-macio para colorir a vida quando ela acinzentar. E coragem para ser apenas quem eu sou.


Amor e verdade sempre!
Telma De Luca

quinta-feira, 12 de março de 2015

perder


Perdeu-se. Não sabia exatamente em que momento, mas ela havia se perdido. Havia perdido o rumo, a alegria, a si mesma. Havia perdido a razão, a emoção, o amor. Vagou meses pela vida. Meio sem sentido, meio entorpecida, meio embrutecida. Sentia as lágrimas que lhe corriam o rosto e tentava se anestesiar com elas. Tentava fazer com que elas bastassem, mesmo sabendo que não bastavam. Tentava imaginá-las como expurgação do corpo para a dor da alma. Mas elas corriam, molhavam, secavam e ela se sentia ressecar por dentro, amargar, enraivecer. Parou de lutar. A dor teria de ser vivida, sem máscaras e nem fingimento para si mesma. Tinha permissão para não reagir, não lutar o tempo inteiro, não sorrir com a dor latejando, não anestesiar o sentir com a droga que fosse. Sentiu, chorou, brigou com Deus, o mundo, a natureza, a lógica, si mesma. Usou os óculos como refúgio, a água do banho como descarrego, a rua como passatempo . As cicatrizes começaram a se fechar lentamente. Trocou a angústia pela esperança. Conscientemente, decidiu pela esperança. Decidiu pela nova tentativa, pelo novo querer, pelo novo acreditar, pelo novo amar. Decidiu por um novo caminho, procurar equilíbrio, voltar a acreditar. Não houve passe de mágica, varinha de condão, nem repetição de frase de auto-ajuda. Houve esforço. Consciente e necessário esforço. A moça bonita viu seus olhos entristecidos no espelho e decidiu, apenas, respeitá-los. Ela sabia que eles voltariam a brilhar com força e intensidade. Ela apenas sabia. E isso bastava. 






Amor e verdade sempre!
Telma De Luca

quarta-feira, 11 de março de 2015

vontade


A aproximação delicada, explosiva e intensa . A curiosidade ardente e constante. O medo bobo e infantil . A intenção honesta, verdadeira, simples e forte. A vontade saborosa e sensível. Essa vontade que dá sem hora e com urgência. Que dá na cabeça, no corpo e na alma. Essa vontade, essa saudade, essa urgência. Esse você.


Amor e verdade sempre!

Telma De Luca

casinha

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A casinha no topo da montanha pode ser linda, bucólica e tranquila, refúgio do sonho de paz e calmaria. O lugar para onde escapamos quando tudo fica difícil e a cabeça precisa voltar para o lugar. Mas às vezes a casinha começa a parecer cada vez mais aconchegante e confortável, mesmo sendo fria demais no inverno e úmida demais quase sempre. Sem perceber, com medo de tropeçar no caminho de volta ou amedrontados pelo que encontramos nos diversos caminhos que já nos levaram até lá,vamos fazendo da solitária casinha do topo da montanha nosso lar, nosso dia depois do outro. Lá não tem vizinho falando alto, ninguém reclamando do tempo e do preço do pão e da gasolina ou perguntando se vai chover. Não tem criança gritando, barulho de chave na porta e nem reencontro todo dia. Não tem abraço, não tem falação nem calor. Não tem como foi seu dia, vamos conversar nem o que você tá sentindo. Ninguém se aproxima demais, temendo ser expulso a tiros de espingarda e xingamentos ranzinzas.Às vezes por medo, comodidade ou arrogância, rasgamos o mapa com o caminho de volta e ficamos presos na nossa própria casinha do topo da montanha, mesmo tendo vontade de abandoná-la de vez em quando. A boa notícia é que dá para recolar as partes do mapa e iniciar a volta, ou quem sabe desenhar um caminho totalmente novo, mais bonito e colorido. Com consciência, sempre dá.

Amor e verdade sempre!

Telma De Luca

segunda-feira, 9 de março de 2015

esmolas


Às vezes saímos por aí pedindo esmola. Esmolamos atenção, amor, reconhecimento. Esperamos que nos dirijam a palavra, mandem uma mensagem, deem um telefonema. Esperamos que nos olhem com olhos amorosos, nos abracem de um jeito especial, segurem nossas mãos com vontade de nunca mais largar. Esperamos que aprovem nossas ideias, nossas inspirações, nossos esforços. E tristemente caminhamos debaixo da garoa fina e constante da falta de amor-próprio. Debaixo do escaldante e cansativo peso da cobrança excessiva . Debaixo da cinza e ingênua vontade de agradar o mundo o tempo inteiro.
Demora, mas chega um tempo em que isso finalmente começa a soar patético e triste demais para realizar e apaziguar nosso coração. Jogamos o chapéu para o alto, recolhemos a mão em posição suplicante, e finalmente lançamos nossos olhares para o caminho que sempre esteve diante dos nossos olhos, coberto por espessas camadas de medo. É só aí que nós falamos as palavras, mandamos a mensagem, damos o telefonema. Olhamos com olhos amorosos, abraçamos do nosso jeito especial, escolhemos as mãos que queremos segurar para seguir pela vida. Corremos para realizar nossas ideias, botamos no papel nossas inspirações, colocamos em marcha nossos esforços. Paramos de esmolar dos outros o que já temos dentro. Paramos de procurar ali o que já está aqui. Começamos a realizar, com as mangas arregaçadas, suor no rosto e sorriso na cara. Nos encontramos no olhar do outro, mas não dependemos mais dele. Desligamos os aparelhos. Demitimos a dependência. Saudamos nossa vontade. E a vida renasce. Forte, resoluta e inspirada, a vida renasce.



Amor e verdade sempre!
Telma De Luca

por quê?



por que será que dizemos
que o mundo está ruim
que não dá pra ficar assim
que tá parecendo o começo do fim
mas não andamos em direção ao sim?

por que será que dizemos
que ninguém sabe o que quer
ou se lembra do outro sequer
se tem amor de sobra
pra acabar com todo mal-me-quer?

por que será que dizemos
que a culpa é sempre do outro
do tio, do vizinho, do amigo
do pai, da mãe, do inimigo
mas esquecemos de olhar pro próprio umbigo?



Amor e verdade sempre! Telma De Luca

domingo, 8 de março de 2015

mulher



Ser mulher é sentir-se linda, exuberante, diva e bruxa
Tudo no mesmo dia
É ser decidida o suficiente para escolher ter um filho
E indecisa o suficiente para não saber o que vestir
É chorar no filme água com açúcar
E segurar as barras da família
É reclamar porque a unha quebrou
E passar noites no hospital para amparar alguém querido
É contemplar a beleza do pôr-do-sol
E não conseguir ficar parada por muito tempo
É conseguir fazer mil coisas
E não ter tempo para fazer tudo o que queria
É viajar para as quatro estações
Mesmo sabendo que vai para a neve
É se prevenir nas miudezas
E se jogar na aventura da vida
É ser forte quando preciso
É ser frágil quando pesa
É amar incondicionalmente
É amar quando o corpo decide
É se amar quando descobre sua verdade
É ser irritada uma vez por dia
É ser inchada uma semana por mês
É querer ser perfeita o tempo inteiro
É ser humana
É ser imperfeita
É sentir
É sofrer
É sorrir
É seguir
Ser mulher é lutar pelo que acredita
Todos os dias.



Amor e verdade sempre!
Telma De Luca

sexta-feira, 6 de março de 2015

coragem

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A semente pode ser natural, mas pra crescer e se fortalecer, ela precisa de vontade, de trabalho, de coragem. Vontade de sentir o cheiro de dama-da-noite invadindo até os narizes mais distraídos nas noites praianas e nostálgicas, de sorvete derretido e pé na areia. Trabalho para regar, podar e manter a planta crescendo no seu ritmo calmo e seguro, atravessando, resoluta, dias de calor intenso e feliz e noites de frias madrugadas esquisitas e inquietas. Coragem para encarar o sem-fim de imperfeições que vamos amar e odiar, num ciclo eterno de alegria e tristeza que, inevitavelmente, vai nos acompanhar pela vida afora. Coragem para olhar nos olhos do outro e assumir medos, fraquezas e fragilidades imensas e assustadoras que nos fazem fugir, fugir e fugir, até de nós mesmos. Como se pudéssemos. Coragem para encarar a escuridão da solidão que nos toma de assalto, sentados em frente à TV assistindo a um programa ruim qualquer de domingo. E que vai nos fazer repensar em silêncio a vida, as escolhas e os caminhos, mais uma vez. Coragem para nos reinventar incessantemente, para reconhecer o outro eternamente e para nos desconhecermos todos os dias. Coragem, porque vai doer. Não todos os dias, não para sempre, mas, em algum momento, vai doer. E assim vivemos a eterna escolha entre seguir sozinhos lambendo os próprios machucados ou nos curarmos juntos, recolando os curativos, passando mercúrio-cromo e assoprando com carinho os machucados uns dos outros. 


Amor e verdade sempre!
Telma De Luca

terça-feira, 3 de março de 2015

...

Idade
Real idade
Realidade

Madura
Madura idade
Maturidade

Imatura idade
Eterna idade
É terna idade

A idade real
Qual é?





Amor e verdade sempre!
Telma De Luca

viva!


Compasso. De espera. De chegada. De partida. Descompasso. De coração. De razão. De saber. Dança. A um. A dois. À vida. Devaneio. Pés nas nuvens. Pés no chão. Pé na estrada. Passos. Largos. Lentos. Infinitos. Caminho. Em frente. Em pausa. Mãos dadas. Paro. Sigo. Penso. Sinto. Danço. Perco. Ganho. Subo. Desço. Abraço. Beijo. Vivo. Viva!




Amor e verdade sempre!
Telma

sonhar


Dizem que  “sonhar não custa nada”. E eu, humildemente, corrijo: custa, sim. O sonho, que nasce na etérea matéria da imaginação, só sobrevive e se fortalece com nosso trabalho cotidiano. Custa coragem para acreditar que seus sonhos são possíveis, mesmo quando a vida insiste em mostrar o contrário. Custa determinação para não cair diante dos obstáculos que a realidade, fatalmente, impõe. Custa vontade para refazer rotas, reaprender e se reerguer, dia após dia. Custa amadurecimento, para não ficar batendo o pé como criança mimada diante do que dá errado. Custa regar, para que os sonhos floresçam. Custa doação, para ser capaz de dividi-los. Custa serenidade, para acreditar quando eles começam a se realizar. Custa o preço que se paga para viver com a alma em paz.




Amor e verdade sempre!
Telma De Luca

segunda-feira, 2 de março de 2015

gente



Tem gente que se esforça pra dizer palavra bonita, sorrir encantado, mas brilho nos olhos não tem. Se esforça pra amar de verdade, esquecer a vaidade, mas paciência não tem. Tem gente que só dá valor quando perde. Tem gente que só dá valor quando rouba. Tem gente até que só dá valor ao que não tem. Tem gente boinha. Tem gente mauzinha. Na verdade a gente não passa é de uma bela duma misturinha. Tem gente que vê em problema em tudo. Tem quem não veja problema em nada. Dá pra saber que tipo de gente é que tá errada? Tem gente que finge o que não é. Tem gente que é transparente demais até. E tem até quem finja ter fé. Tem gente assim. Tem gente assado. Tem gente dos "tipo mais variado". Tem gente que eu quero perto. Tem gente que eu quero longe. E tem gente que só atrás de má intenção se esconde. É tudo gente. E cada gente é uma gente. Não dá pra ser tudo igual. Mas burro mesmo é quem se acha assim tão diferente.



Amor e verdade sempre!
Telma De Luca

cotidiana mente

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Coitado dele. Enquanto seu sucessor é almejado, sonhado, pensado, desejado, ele apenas existe. Vive como se ninguém precisasse dele. Cumpre todas suas obrigações, traz  alegrias,  entrega as inevitáveis tristezas. Mas é igual àquele trabalhador tão eficiente e quieto, só sentimos falta mesmo quando ele vai embora. Falamos do seu antecessor com lágrimas nos olhos, sorrisos nos lábios, suspiros no ar. E ele, pobrezinho? Chamamos de cansativo, chato, estressante, talvez ingenuamente nos esquecendo de que é nele que vemos e vivemos as belezas. É nele que aprendemos a conviver com a dualidade da vida. É ele que o passar do tempo transforma em lembrança. É nele que construímos o caminho. Hoje, eu te agradeço e reverencio. Todos os dias.



Amor e verdade sempre!
Telma De Luca

irmãs

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Ela só quer ser tranquila, calma e bem-resolvida. Vive no aconchego do conforto do abraço demorado. Sobrevive de momentos singelos e quase imperceptíveis a olho nu. Mora no sorriso sincero, na pergunta infantil, no filme que a gente assiste no sofá, no livro bom que a gente lê em silêncio, na música que nos toca, na xícara de café quente no dia frio, no copo de suco fresco no dia abafado. Mas a Felicidade às vezes vai embora cabisbaixa, enquanto estamos ocupados demais correndo atrás da sua irmã Euforia. Essa é diferente. Expansiva, fala alto, cheia de exclamações, muitas caras e bocas, usa letras em excesso, cria barulho demais, faz questão de ser notada. E às vezes também ela vai embora cabisbaixa, quando finalmente descobre que a Felicidade sem ela continua sendo Felicidade, mas ela sem a Felicidade não passa de um puído disfarce para os momentos em que falta alma na vida.


Amor e verdade sempre!
Telma De Luca

áridos

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Na rasidão da razão pura, o árido coração repousa cansado. Encontrou na aridez a proteção, na frieza o consolo, na rigidez o jeito de se manter inteiro. Na razão que justifica, questiona e julga, encontrou abrigo para seus medos mais profundos. Respira na superfície com medo de perder o ar, com medo de depender do respirar que não seja o seu. O tolo coração árido teme, sem notar que sempre será capaz de respirar sozinho, mesmo quando alguém trouxer mais ar para sua vida. Cabisbaixo, prefere sofrer coberto por espessas camadas de justificativas e adiar seus planos sempre para o depois do agora. Coragem, coração, não tenha medo do machucado, pois nele há vida. A aridez se disfarça de serena, mas é solitária, severa e sofrida


Amor e verdade sempre!
Telma De Luca