segunda-feira, 26 de outubro de 2015

alegria!

 



Sensação boa essa, de realizar algo que não era seu sonho, mas se transformou em objetivo sério tão logo surgiu. Nunca, nunca, nunca pensei que gostaria de entrar nessa de onda de "fazer acontecer" por conta e risco, sem horário fixo, patrão, nem salário determinado....e não é que estou amando?! Com a sorte de ter ao lado nessa nova jornada pessoas especiais, confiáveis e amigas, dando um passo de cada vez e com os pés bem firmes no chão, com a certeza de que vamos caminhar com coragem e determinação, iniciamos nosso novo caminho rumo ao...sabe-se lá onde, mas esperamos que ao sucesso (hahaha). Coisa boa, coisa boa, coisa boa! Enquanto uns perdem tempo me achando metaforicamente acomodada, a vida retribui meu esforço e me traz realizações!

Alegria agora, agora e  amanhã....alegria agora e depois e depois e depois de amanhã!


Amor e verdade (e liberdade de comportamento opressivos) sempre! 
Telma

Arte: Amanda Cass

sábado, 24 de outubro de 2015

missing

 


Feeling pretty, feeling fine, feeling beautiful, feeling wise. Sending news from far away, sending love in the right way. Don't just ask if I am ok, just send your love back my way. Don´t tell me how much you miss me, only say we soon will meet. I'm feeling you, you´re feeling me, and our love is all I see. There is no distance when hearts are close. I won't rush up, I'm full of hope. I send my love for you to care and I all I know is...we together are more than rare!

Amor e verdade sempre!
Telma

quinta-feira, 22 de outubro de 2015

multidão



Que a vida não me prive do sol, da chuva, do frio, do calor, das folhas caindo, do arco-íris, da saudade, da alegria, da tristeza, da saúde. Não me impeça de olhar as nuvens e ver significado em cada uma delas.Não me coloque acima de nada nem de ninguém, nem mesmo dos meus próprios sonhos e verdades. Que a vida mantenha minha vontade, minha obstinação, meu cuidado com os que me cercam. Que as palavras feitas para machucar não me atinjam nem me façam mais perder minha paz interior. Que meus olhos não leiam agressões nem leviandades de quem não me conhece de verdade. E nem  tampouco conhece a própria verdade. Que a vida me mantenha suave e serena e me faça enxergar cada outro como se fosse eu mesma. Que eu jamais use minhas próprias frustrações como desculpa para fazer mal a quem quer que seja. Que a vida jamais me faça perfeita ou conformada, mas apenas consciente de que sou apenas mais uma no meio da multidão. Enquanto nos acharmos todos grandiosos e "merecedores", o mundo não passará de uma disputa insana e triste. Pés no chão, fé no coração, muito amor pra seguir em frente sempre.

Amor e verdade sempre!
Telma

terça-feira, 20 de outubro de 2015

quês

 


Todo recomeço tem um quê de renascimento, um quê de renovação, um quê de merecimento. Todo início tem um quê de superação, um quê de determinação, um quê de esperança. Todo caminho tem um quê de vontade, um quê de coragem e um tanto de paixão . Todo desmerecimento tem um quê de inveja incomodando. Todo amor tem um quê de admiração transbordando. Todo respeito tem um quê de carinho abraçando. Renascer, recomeçar, caminhar, amar, amar, amar. Tem um quê de vida batendo no peito. Tem um quê de amor flutuando no ar. Tem amor aqui. E é todo seu.


Amor e verdade sempre!
Telma

domingo, 18 de outubro de 2015

espontaneidade!

Um marido recebeu fotos "sensuais" da mulher, todas retocadas e photoshopadas. À fotógrafa, ela havia pedido que seus "defeitos" fossem retirados, porque queria se sentir incrível naquelas fotos. O marido recebeu as fotos e enviou a seguinte carta à fotógrafa:

"Oi, Victoria.
Eu sou o marido da F.. Estou escrevendo porque recentemente recebi um álbum contendo imagens que você fez da minha mulher. Não quero que você pense que eu esteja chateado, mas queria dizer algumas coisas. Estou com a minha esposa desde que temos 18 anos, e temos duas belas crianças (...). 
Quando você apaga as suas estrias, você retira a documentação dos seus filhos. Quando você apaga as suas rugas, você retira duas décadas de sorrisos e as nossas preocupações. Quando você apaga as suas celulites, você retira o seu amor por cozinhar e todas as coisas boas que você comeu nestes anos.
Não estou dizendo isto para que você se sinta mal, você está apenas fazendo o seu trabalho e eu entendo. Na verdade, estou escrevendo para agradecer.
Ver essas fotos me fizeram perceber que, honestamente, não tenho dito à minha mulher o quanto a amo e a adoro do jeito que é.
Ela pensou que essas imagens com Photoshop eram tudo o que queria e gostaria que ela fosse.
Eu tenho que fazer melhor, e pelo resto dos meus dias eu vou celebrar a minha mulher em toda a sua imperfeição. Obrigado por me lembrar."


Pode ser apenas mais um "meme" de internet, pode nem ser uma história verdadeira, mas, enfim, acreditando que seja, eu digo: que coisa mais linda! E não porque acho que a gente deva, necessariamente, aplaudir e se conformar com todas as imperfeições que nos incomodem, mas em um relacionamento PRECISA existir algo mais profundo e vital do que os clichês!! Do que a cara sensual, do que surpresas forçadas e sem alma!
Eu sempre achei esses ensaios "sensuais" uó, justamente por isso: porque geralmente fantasiam a mulher como se fosse "outra pessoa" (de um jeito bem brega, aliás) para que ela volte a ser "atraente" para o marido, para "reaquecer a relação". Como se a atração e o tesão se baseassem só nisso! Na aparência, na roupa, na maquiagem, numa mulher montada. Sério, se algum dia eu me tornar clichê o suficiente para fazer um ensaio desses, meu marido que se prepare para receber um álbum com uma mulher de camisola branca, vestidos larguinhos e um belo sorriso. Se depender de caras, bocas, maquiagem pesada e caras vulgares para conquistar alguém....será decepção atrás de decepção.
Talvez por isso também eu tenha um ódio fundamental dos ensaios newborn. Coisa de mau gosto medonho! AMO fotos de criança, pezinho de criança, barriga de criança, acho as coisas mais fofas e "cuti-cuti" do mundo, mas aquelas fotos de crianças "moldadas" para parecerem personagens, pra mim, são assustadoras! Não consigo ver beleza onde não tem espontaneidade! Aquele serzinho colocado em uma cesta ou em cima de um bicho ou sei lá eu como me dá uma aflição danada! Parece uma massa amorfa, acho estranhíssimo.
Em ambos casos, a minha lógica é a mesma: excesso de produção tira a beleza mais fundamental, seja da mulher, seja do bebê, que é sua vivacidade, sua exuberância, seus defeitos, suas falhas, sua espontaneidade!! A criança posa "fazendo sujeira" para parecer "arteira" (e tem criança que não quer fazer aquela sujeira toda....chora pra não fazer!) Pra que eu quero uma foto do meu filho parecendo forçadamente o que ele não é? Pra que eu quero uma foto do meu marido ou mulher forçadamente encarnando uma personagem? Ah, mas e as fantasias, elas são saudáveis....bla bla bla. Exatamente, das MINHAS fantasias, o ensaio-clichê-com-cara-de-sensual-para-reaquecer-a-relação não faz parte. Assim como ter um filho em ensaio newborn não faz parte dos meus planos ou desejos. Cada um na sua, mas que eu gostei da sensibilidade da carta desse marido...ah, isso eu gostei!

Menos clichês, mais espontaneidade!

Amor e verdade sempre!
Telma

realização²

O primeiro passo diante do sonho grandioso. A emoção da sala escura, os amigos do lado, os elogios no final. A certeza de que há muito a melhorar e evoluir junto com a certeza da escolha bem-feita e consciente. O ganho imaterial, a vontade de crescer e o agradecimento por saber que tudo contribuiu positivamente para o melhor caminho até agora. Emocionante ver seu nome na tela grande, ainda que numa sala pequena. Obrigada, Deus. Esse foi só o primeiro passo de uma trilha de sucesso, ao menos pessoal. O aplauso afaga o ego, a realização afaga a alma. E eu quero a alma realizada e em paz!

Amor e verdade sempre!
Telma

quinta-feira, 15 de outubro de 2015

realização!

 

Estava tão feliz enquanto arrumava as malas, que os vizinhos podiam ouvi-la cantar "vamos pegar o primeiro avião com destino à felicidadeee". Chegou a dançar com as roupas como naquelas cenas clichê de filme da sessão da tarde. Era a realização chegando, enfim. Do sonho, da vontade, dos objetivos que havia traçado meses antes. Alguns conscientes, outros nem tanto. Havia objetivos novos e claros. Outros antigos e enraizados. E os que foram deixados completamente de lado porque não faziam mais parte do que ela era naquele momento. Havia sonhos que nutria há tanto tempo que pareciam fazer parte do que ela era desde sempre. Os mesmos que a menina lá de dentro acreditava quando não sabia direito o que era o mundo e nem e vida. Ela, mulher feita, continuava não sabendo muito sobre o mundo e a vida, mas tinha plena consciência de que isso a deixava suave e curiosa. E torcia para ser assim até ficar bem velhinha e de cabelos lilás. A mala estava quase pronta. Sentia o coração acelerar à medida que as horas avançavam. Era uma palpitação boa, misturada a uma sensação de prazer e serenidade, mais uma pitada de excitação completa e um tanto de euforia. Todos os sentimentos estavam alvoroçados. Fechou a mala, abriu um sorriso de alívio e abraçou a certeza que iria lhe acompanhar até a alguns milhares de quilômetros dali. O táxi a esperava.

- Pro aeroporto, moça?
- Pra vida, senhor. Pra vida!

 Amor e verdade sempre!
Telma

quarta-feira, 14 de outubro de 2015

elogios



O elogio é uma ótima ferramenta, mas, como qualquer outra, pode funcionar para o bem e para o mal. Pode fazer muito bem para a estima do outro quando feito com sinceridade e sem afetação (tem coisa mais irritante do que elogio de gente falsa?). No entanto, o elogio repetido à exaustão pode ter um efeito de manipulação incrível.
Ao elogiar incessantemente o outro, eu me coloco na posição de salvador, de ser que valoriza o outro mais do que todos os demais e me torno, portanto, mais importante. O outro me olha como "a pessoa que mais me valoriza no mundo" e eu vou, aos poucos, me tornando "indispensável" para a estima daquela pessoa. Que cruel isso, não? É só prestar atenção: pra gente saudável emocionalmente, elogio demais simplesmente enche o saco, porque a pessoa não cai no jogo, já que se sente realmente bem com o que ela é e nem tão bem em outros momentos...e está tudo bem!
E pior ainda é quando os elogios vêm acompanhados de frases do tipo "você precisa se valorizar mais", mesmo que a pessoa nunca tenha se queixado de deficiência de autoestima, de falta de vitamina de amor-próprio nem de dependência química de elogios. Ao falar isso, o outro está dando o "aval" dele para você se valorizar, já que antes dele aparecer na sua vida, o amor-próprio não existia. Que prepotência, não?
É que embora seja muito difícil pra algumas pessoas entenderem, tem muita gente no mundo que não está à espera de um salvador para lhe trazer autoestima ou autovalorização. Tem muita gente no mundo que quer alguém caminhando lado a lado de mãos dadas e construindo a vida, mas não precisa se escorar na opinião do outro para se sentir mais ou menos feliz. Muita gente que quer cuidar e ser cuidado, mas que isso não significa se tornar dependente emocionalmente.  Acontece também que tem gente com uma visão tão distorcida de si mesmo que realmente se acha "salvador" dos outros, pobres coitados à espera de quem lhes tire de onde estão. Deve ser bem maluco isso. E triste também.
E por último, mas não menos importante: de nada adianta alguém que te elogia diante dos outros e fala mal de você pelas costas. Ou mente. Ou trai. Quem faz isso está buscando ser valorizado, admirado, parecer mais generoso aos olhos dos outros do que de fato é. Quer construir para o mundo a personagem ideal e sensível que imagina que os outros acham "melhor". Mais do que confiar em palavras, confie em atitudes. Acredite na sua intuição, acredite no seu coração. Palavras qualquer um aprende, caráter não.

Amor e verdade sempre!
Telma

terça-feira, 13 de outubro de 2015

paradoxos

 

Mundo paradoxal o nosso. São infinitos livros de autoajuda, milhares de terapeutas, psicólogos, terapias alternativas para nos ajudar a encontrar a tal da "felicidade". Pretensamente, nos ensinam a "viver melhor", a nos entender, a nos conhecer, bla bla bla. 
Mas acontece que tem gente que se sente bem com o que tem. Acontece, veja só. Não que não tenha sonhos ou objetivos,nem dores ou sofrimentos, mas é apenas uma pessoa em grande parte satisfeita com a própria vida, com as próprias buscas, caminhos. Não é alienada, nem burra, nem desavisada. Também não está parada esperando. Só não está desesperada correndo atrás do próprio rabo ou tentando mostrar para os outros como é "bem-sucedida", afinal. Ou criando personagens que a tornem mais atraente. Não caiu na armadilha da persona feliz full time das redes sociais. Nem está aí se estão julgando sua nova profissão, reparando se mora sozinha ou com a mãe ou com o cachorro ou com o gato. Nem desesperada atrás de um homem pra chamar de seu. Acha que querer "ter uma família" a qualquer custo ou aceitando qualquer coisa que lhe caia no colo não é realmente um objetivo de vida feliz. 
É apenas uma pessoa que busca transparência, justiça, verdade e amor. Sabe que o amor é cheio de nuances e variações, mas acredita que vale, sim, encontrar alguém com os mesmos valores que os seus. E não, isso não é querer demais, nem ser romântica ou sonhadora. Aliás, isso é o mínimo. É apenas ter consciência do que quer e, principalmente, do que não quer mais na vida. Sabe também que amor não significa apenas "casal" ou "par". Outro dia mesmo em uma loja de brinquedos olhou nos olhos da garotinha que lhe pediu um presente de Dia das Crianças e sentiu um profundo amor, apenas porque tinha diante de si um ser humano com o olhar mais puro e doce que já viu.
Acontece que essa pessoa satisfeita com a própria vida é chamada de que por aí? De acomodada, sem ambição. Não há de se querer ser feliz com simplicidade, coisa boba. Desejar alguém com os mesmos valores? Coisa de gente inocente, tolinha. Ter consciência das consequências de suas ações? Coisa de gente racional demais! Credo! 
É, vai ver tem alguma serventia em ser escravo da insatisfação crônica. Vai ver isso é coisa de gente "bem-sucedida" e "ambiciosa". Ou vai ver é só um jeito de nos tornar cada vez mais dependentes. Do outro, do trabalho que explora, da terapia, dos remédios, das drogas...Gente satisfeita não faz a roda girar do jeito que tem que ser....alimentemos a insatisfação (nossa e dos outros), pois.Ou não?



Amor e verdade sempre!
Telma

segunda-feira, 12 de outubro de 2015

homenagem

Aos que leem o blog pra fazer análises comportamentais rasas...
Aos acomodados na vitimização...
Aos que vivem uma egotrip muito louca nessa vida...
Aos que se acham melhores do que os outros...
Aos inconsequentes que se acham corajosos...
Aos que se julgam donos da verdade...
Aos cagadores de regras ...
E aos puramente chatos para caraleo...



minha singela homenagem !


Amor e verdade sempre!
Telma

sexta-feira, 9 de outubro de 2015

consequências





Consciência e consequência. Palavras parecidas em som, em forma, mas não em valor. Não temos consciência de algo quando não somos alertados, quando não temos discernimento entre certo e errado, ou quando nosso juízo de valores é distorcido. Muito diferente de não ter consciência do que faz, é não medir as consequências do que se faz. São quase diametralmente opostas, mas muito poderosas quando andam de mãos andas. Quando temos consciência do que fazemos e das consequências daquilo para nós ou para o outro nos tornamos responsáveis no sentido mais amplo. Quando alguém faz algo que sabe ser errado e acredita que nada demais vai acontecer, a não ser seu próprio benefício, não está agindo inconscientemente, mas de forma inconsequente. Palavras podem distorcer e manipular muitas realidades, mas é a verdade que sempre vence.


Mais consciência, menos inconsequência...e teremos um mundo melhor. Simples assim.

Amor e verdade sempre!
Telma

quarta-feira, 7 de outubro de 2015

conexão






s.f. - coisa da alma que encontra encaixe para suas dúvidas, medos, ansiedades e alegrias. Independe do palavrório bonito, do discurso ensaiado ou de datas especiais. Vive sem isso, sem aquilo, sem salamaleques, mas nunca sem o outro. Liga, flui, felicita, realiza, canaliza, une duas vias que procuram o mesmo caminho. Não deve ser forçada, ou espana. Não pode ser de malfeita, ou deixa vazamento que mina qualquer sentimento bom. Encontro raro. Momento a ser valorizado.

Amor e verdade sempre! 
Telma

segunda-feira, 5 de outubro de 2015

sons

 



Quando ouviu aquela voz, sentiu algo tão familiar e bom, que acabou sem reação. Era o mesmo tom, a mesma entonação, o mesmo sotaque, a  mesma firmeza meio tímida que sempre a encantara. Pensou em dizer tudo isso, mas preferiu mudar de assunto, fez uma piadinha idiota e um comentário sem sentido pra escapar. Era dessas. 
Levou um tempo pra perceber que a sensação tão boa talvez tivesse sido apenas um tipo de déjà vu recorrente, uma impressão meio carente ou como se o relógio tivesse parado por um tantão de tempo sem que ela percebesse. Mas ele não tinha parado, afinal. A vida havia caminhado a passos largos, mas não para longe. Era curioso o que sentia.
Resolveu não se antecipar e nem ansiar por nada. Tudo estava onde deveria estar. A conversa madrugada afora, a lua pra trazer a energia, a música pra fazer a conexão. Tudo estava no lugar. Tudo valeria a pena, da maneira que fosse.

Amor e verdade sempre!
Telma

sábado, 3 de outubro de 2015

sometimes




Sometimes she feels like a fool and old-fashioned lady in this world. Not because her age nor because her serious mind but because her heart still believe in love and joy and truth as if she was a young girl beginning to know life. Sometimes she feels too much and does not trust herself as she should. But most of times, she´s just a girl that choose smile as her medicine against adversities, against pain, against badness. Someone who cares, who needs to build ways and bridges for her and for the ones that she loves more than walls to protect herself. Maybe she is just a dreamer in a world full of reality . Maybe she is just a fool in a world with so little dream. Maybe she is just a believer in a world full of lies. Or maybe she is just human, as anybody else.

Amor e verdade sempre!
Telma

alma



Nossa alma é sensível. Sempre a nossa alma sensível, basta prestar atenção. Mas a vida corrida, a busca pelo "ideal", pelo dinheiro, pelo conforto, pelo sucesso ou por qualquer outra realização pode sufocar, descolorir, endurecer. A convivência também pode sufocar a alma quando a gente não sabe separar o que é nosso e o que é do outro. Não significa que a gente não possa ajudar, ouvir, socorrer, entender as dores de qualquer alma que passe pela nossa estrada da vida, que acene pedindo carona, uma informação ou apenas um copo d´água pra conseguir ir adiante. A gente pode e deve fazer tudo isso. A gente pode usar a nossa luz pra ajudar outra alma a brilhar, por que não? Pode ajudar outra alma a encontrar a própria luz. Pode e deve mudar. Sempre. Mas quando a nossa consciência mandar, quando nossa alma pedir, talvez até quando a vida impuser e a gente acatar. Mas jamais pode sufocar a própria alma pelo outro. A gente pode se adaptar, fazer concessões cotidianas, até abrir mão de muitas coisas. Mas não da nossa alma. A gente não pode deixá-la sem o alimento do amor-próprio, da consciência tranquila, do querer mais profundo, do buscar o que a encanta. Não pode deixá-la perder a plenitude, o encantamento com a vida, a chama e a essência que a faz germinar, crescer e florescer todos os dias enquanto estamos aqui. Não pode deixá-la amuada, entristecida, apagada. Alma é feita pra brilhar, pra iluminar nosso caminho e o dos outros. Quando a gente se olha no espelho e não se reconhece, olha para o sol e se entristece, sente frio e se incomoda, desassossega demais, é hora de parar e escutar a alma. No silêncio das nossas vontades mais profundas, com certeza ela sussurra os melhores caminhos.

Amor e verdade sempre!
Telma

Arte: Amanda Cass

quinta-feira, 1 de outubro de 2015

(in) quietude

 


Pode durar minutos, segundos, dias, horas. Na cama, na rua, no carro, no banho. Ela chega para todos, sem distinção. Às vezes trazendo saudade boa, de tempos bons e felizes. Ou a lembrança doída e forte, de tempos difíceis e pesados. Pode ser ansiedade do futuro que parece demorado. Ou a dúvida fazendo caminhos feito formiga atrás de açúcar dentro da nossa cabeça confusa. O sentimento que mexe com a gente e não tem explicação. Ou alguma certeza que a gente já tinha deixado esquecida lá na caixinha das nossas certezas douradas e, rebelde, resolveu acordar de repente. Saudade do que a gente não viveu também traz. Aquela tal vontade que não parece a mais certa ou adequada ou lógica...traz também. Borboleta na barriga, abelha na colmeia, passarinho querendo voar. É tão natural, que a gente nem sabe falar se é boa ou incômoda. Nos momentos mais inesperados, mexe lá dentro, revira um tanto de pensamentos, ideias e sentimentos. Mas a inquietude sempre passa. Pode nem deixar rastro, feito nuvem branca em dia de sol. Ou deixar uma mala cheia de certezas dentro do peito. Até que essa mala começa a ficar leve e boa de carregar... é a quietude construindo sua morada, finalmente.

Amor e verdade sempre!
Telma

não foi

 



Estavam na cozinha conversando depois do jantar, comentando as notícias e os dias de trabalho.

 -Você viu? Descobriram água em Marte!

- Vi, sim!

- Incrível, não?

- É, muito.

Ele não sabia, mas o pensamento dela não estava em Marte, nem na lua, nem nas estrelas ou nos astros, estava longe. Havia reencontrado um amigo de tempos atrás por acaso na hora do almoço e não conseguiu tirá-lo da cabeça o dia todo. Não era o ex-namorado, ex-caso, era apenas um amigo que o tempo havia distanciado. Mas mexeu com ela o suficiente para deixar a falastrona quase monossilábica e com o pensamento avoado.

Ele seguiu no assunto, realmente empolgado com a descoberta e com as possibilidades. Mesmo que elas não fossem se realizar até 2050, pelo menos.

- Vai ver agora a expedição para lá sai....já pensou? Ir para Marte?

- Nós não fomos nem até o Ceará ainda, André.

Ele riu do comentário prosaico diante da grandiosidade de uma possível viagem à Marte.

- Verdade. Mas Marte é tão mais...tão mais....

- Longe? Quente? Salgado?

A paciência dela também não estava ali, pelo jeito. 

Ele tentou quebrar o clima:

- Mais quente que o Ceará...acho que não, hein. 

E riu de si mesmo do jeito abobalhado que a irritava.

Ela viu acender o celular que estava na estante. O coração acelerou, ela tentou se manter discreta, podia ser qualquer pessoa, afinal. Mas ela sabia que não era, o abraço do final do encontro tinha deixado muito claro que o aquilo tinha sido forte para ambos e nenhum dos dois tinha entendido bem o porquê. As notificações chegavam em sequência. Levantou num pulo. Ele estava olhando fixamente para o tablet e se assustou.

- Nossa, que foi?

- Nada, vou ver se o celular carregou.

Tudo estava ali. 

Pensei em você o dia todo. 

Você também? 

Ou estou louco? 

O que aconteceu?

Fiquei perdido.

Se foi impressão minha, ignore isso tudo. 

Por favor. 

Somos amigos, eu sei. 

Mas precisava falar ou ia explodir, você me conhece.

Desculpe.

Ela foi para a sala sem saber o que fazer, meio atordoada, meio implodindo. André ria na cozinha de algum vídeo da internet, sem notar nada de estranho. Ele não era dado a essas atenções. Era desligado, do tipo que achava que tudo estava sempre bem, mesmo quando sabia que não estava. Jogava tudo pra debaixo do tapete, mágoas acumuladas, conversas não faladas, pedidos não entendidos, dicas não percebidas. Ria cada vez mais alto e abobalhado. Ela se irritava e respirava fundo.

Não, não foi. 

Mesmo?

Saiu sem olhar para trás, André estranhou, foi atrás dela no hall do elevador. 

- Aconteceu alguma coisa? Alguma emergência? Alguma...

- Aconteceu. Fui chamada pra uma expedição. Não me espere.

A porta do elevador fechou, ele pensou por dois segundos, parado em pé na porta. Voltou para a cozinha. Não era nada. Tudo estava bem. Sempre estava, afinal.

Vanessa viajava pra não voltar mais. André ria de outro vídeo na internet.


Amor e verdade sempre!
Telma

gratidão

 


Outra dia, estava lendo um artigo que falava que usar "gratidão" é "superior" ao "obrigado". Porque o "obrigado" seria uma formalidade sem sentimentos e o "gratidão" seria uma verdadeira conexão com o outro. Ah, sério? É sério que até isso está em julgamento hoje em dia?! Que eu serei mais humana ou elevada pela maneira que eu agradeço? Que minha conexão e empatia podem ser percebidas por meio disso? Zzzzzz....que preguiça!!!
Na boa, se você falar um palavrão como retribuição e o agradecimento for verdadeiro, isso não vai importar. O outro vai perceber a intenção, a entonação, a sinceridade do que está sendo dito.Tem gente que pode até não dizer uma palavra em retribuição, mas vai fazer pelo outro, agir pelo outro, em algum momento mais adiante.
Use "gratidão", use "obrigado", use um abraço, um beijo, um sorriso, use o que bem entender, só não julgue ninguém baseado nisso, por favor.
Sério. O mundo com tanta coisa pra gente se maravilhar e tem gente se prendendo a isso? Eu mesma não sei por que perdi 20 linhas pra falar sobre isso...mas achei tão sem pé nem cabeça que precisava.

Menos julgamento, menos arrogância, mais amor.


Amor e verdade sempre!
Telma

Arte: Amanda Cass