quinta-feira, 31 de dezembro de 2015

power!

O que eu desejo para 2016? Que todas as mulheres saibam o seu valor, reconheçam a sua beleza, entendam a sua força. Que todas nós deixemos de comprar o ideal que querem nos impor e de, por causa dele, nos submetermos a relacionamentos abusivos disfarçados de aceitação. Não aceite nenhum "nossa, você é louca" pra te desacreditar , nenhum "como você é paranoica" que esconda mentiras e dissimulações,  não aceite manipulação, jogo de palavras, não aceite nada menos daquilo que você mesma é capaz de dar. Que nossa verdade não seja suprema, mas seja respeitada. Que nosso beleza não seja ideal, mas seja possível. Que nosso coração acelere diante de tudo que nos traga significado. Que nosso trabalho faça diferença no mundo. Que nossa autoestima não dependa de rótulos. Que nossa vida não seja analisada por nenhum babaca que se julgue dono da verdade. Que sejamos a mão que ajuda, o abraço que acolhe e a palavra que entende. Que sejamos "apenas" nós mesmas, com toda força.


Para cantar em alto e bom som:










Amor e verdade sempre!
Telma

terça-feira, 29 de dezembro de 2015

*lê* *leia* *li*



 Lê isso aqui como se eu tivesse escrito só para você. Lê com os olhos, com a alma, o coração e o pulso acelerado, ou nada disso terá valido a pena. Lê com calma também, para as dores irem embora a seu tempo. Lê com a razão que nos salva. E com a emoção que é sempre mais forte e real do que qualquer raciocínio elaborado e sistemático. Lê de um jeito alegre e leve e despretensioso. Lê na manha, na preguiça, no ritmo bom. Lê de peito de aberto, abraça a vida como ela merece. Lê com os olhos que veem bonitezas em cada canto. Lê. Mais. Sempre mais.


Amor e verdade sempre!
Telma

sexta-feira, 25 de dezembro de 2015

obrigada, 2015! Até já, 2016!!

 



O ano está acabando, 2016 já está ali na esquina esperando por nós.....e eu só posso agradecer por esse tal 2015 que vai indo embora, levando o que havia de mágoa, tristeza e dores acumulados lá dos outros anos. Entrei nesse ano ainda meio cambaleante, com um tanto de raiva da vida, sim. Não sou de dissimular e fingir nada, todo mundo deve ter percebido que a "telminha" ainda andava chata e ranzinza. E quem não me conhecia direito deve ter achando que esse era meu jeito mesmo, fazer o quê.
Aí comecei a realizar meu novo sonho, encontrei pessoas com o sonho parecido com o meu, conheci novos amigos incríveis que me ajudaram mesmo sem perceber. E foi pelo meio desse caminho que eu mudei. Lá pela metade do primeiro semestre, alguma chave se virou e eu me vi inspirando vida com uma vontade que há muito não tinha. Me redescobri, voltei a me amar, a me querer bem, a me arrumar, me perfumar...todos esses "detalhes" que haviam ficado um pouco de lado até a dor cicatrizar. Não postei fotos sorridentes pra parecer bem, nem quis mostrar euforia onde não havia, ou uma alegria falsa para convencer alguém de que eu estava ótima. Nada disso. Mas aos poucos, a minha luz voltou, minhas fotos voltaram a mostrar a mulher bonita que existe aqui dentro. Não, não a de medidas perfeitas e ideais, mas a que tem brilho no olhar, a que acredita na força da vida e da verdade. Aqui nesse blog, você nunca vai me ver falar de uma família perfeita que não existe, de um amor fora do normal que só eu sinto, nada disso. Nem me ver escrevendo como se fosse algum tipo de "filósofa" iluminada ou ser humano "além do normal" porque enxerga a vida como nenhum outro.  Nada disso. Porque nada disso existe, afinal.
Depois vieram outros sonhos, e eu me vi empreendendo! Uau, como assim?! Eu, empreendendo?! Dei risada de mim mesma e, confesso que com um tanto de nervosismo, aceitei o convite de amigos queridos pra botar o pé na estrada. E tenho fé de que 2016 será nosso ano! E se não for, a gente recomeça, ué! Muda o rumo, o foco, o objetivo, ajeita as lentes pra outro lugar! E segue!
Outro dia, uma amiga falou que, desde que me conhece, nunca me viu tão bonita como agora. Eu pensei em dizer "ah, imagina", mas tudo o que saiu foi "é verdade, né? Nem eu", sem arrogância e nem falsa modéstia. É assim que ando me sentindo...leve (mesmo com meus eternos quilinhos a mais), sem cobranças e nem mentiras na minha vida (que tanto me maltrataram), desejando bem a quem eu quero bem (e não desejando nada a quem não me diz nada - e, sim, desejando que se danem os que me desejarem mal - não sou iluminada, lembra?). Não me cobro por uma euforia que não faz parte da minha personalidade (aliás, euforia pra mim é coisa de desequilíbrio, mas é só minha maneira de achar)  e nem quero provar porra nenhuma ao mundo (ou a quem, porventura, possa me achar acomodada pelo simples fato de me aceitar - doentes, finalmente, não me atingem mais!!).

Obrigada, 2015. Gracias! Merci! Thank you! Que 2016 chegue de boa, na manha, que nem abraço demorado quando o dia tá frio, que nem sorriso de criança quando a gente tá ridículo, que nem rabo de cachorro amarelo quando revê a gente no fim do dia. Vem, 2016, vem gostoso realizar meus novos sonhos, que meu tesão pela vida reacendeu....e quando eu tô assim, ninguém me segura ;)


Amor e verdade sempre!
Telma

terça-feira, 22 de dezembro de 2015

osho

sempre pensei assim....e cada dia mais!!

Happy 2016 para todos nós, com muita verdade sempre!!!

;)




Amor e verdade sempre!
Telma

segunda-feira, 21 de dezembro de 2015

sagaz




Tem dias em que a gente pensa sobre gratidão e raiva. Amor e saudade. Dor e renascimento. Paz e guerra. Tem dias em que todos os sentimentos se misturam se combinam e se despedem, tudo assim, ao mesmo tempo e nunca. Aqui e agora. Nunca e pra sempre. Tem dias em que a nuvem vem, encobre o dia bonito, mas, teimosa que sou, escolho olhar para a nuvem. Tem dias em que o sol vem quente e apaziguador e eu escolho sentir seu calor. Tem dias em que vem a chuva e nesses, ah, eu escolho sentir o cheiro da terra. E tem uns dias que não tem jeito. Cinzas, azuis, úmidos ou secos, quentes ou frios e eu só quero meu casulo. O céu está lá e eu não vejo, a nuvem está lá e eu nem reparo, o sol esquenta e eu nem sinto, alguém passa e eu nem quero saber quem é. Se a vida fosse linear, certamente seria chata. Se fosse o tempo todo circular, não sairíamos do lugar. A vida é sábia, é esperta, é sagaz, é serena. Mas nós só percebemos quando não estamos perdidos atrás de disfarces ou correndo atrás de euforias eternas.


Amor e verdade sempre!
Telma

definições



Ela não sabia de mais nada desde há pouco. Sabia não. O tanto de certezas e constâncias inconstantes da sua mente andavam confusos, aturdidos, e isso não era de todo ruim. Era não. Sensações e sentimentos não encontravam desenho que os descrevesse de um jeito ininteligível e passeavam pelo seu corpo e por sua cabeça de tempos em tempos.  Às vezes de um jeito leve e bom, noutras de um jeito saudoso demais. Ela andava sentindo faltas constantes de um certo sorriso. Nem sabia se saudade era o nome, já que o tempo não importava. Vai ver que o dicionário tem alguma palavra melhor pra quando a gente falta do outro sempre, sem intervalos regulares e em condições variadas de pressão e temperatura. Ou pra falta que aparece no dia seguinte, antes da ligação seguinte, entre o encontro e a despedida. Ou pra quando é uma saudade do que nunca vai acontecer. Deve ter alguma palavra boa pra tudo isso. Deve sim. Na falta de outra, ela acha que isso é algum tipo de amor mesmo. Mas sabe como é, suas certezas foram embora há tempos...então ela sente e deixa os dicionários pra quem é de definições. Pra ela não.

Arte: Amanda Cass


Amor e verdade sempre!
Telma

quarta-feira, 16 de dezembro de 2015

algum dia

 

Algum dia as coisas vão mudar, os sentimentos vão chegar de mala e cuia, a alegria vai bater à sua porta. Algum dia você vai ser feliz como nunca, seus sonhos serão entendidos e seus desejos realizados. Algum dia seu coração vai bater diferente de todos antes, seu sorriso vai ser mais fácil e seus olhos vão brilhar mais. Quem sabe até, algum dia vai surgir diante de você algo que você nem fazia que existia e poderia ser bom assim, vai torcer pelo sorriso do outro e querer que outros sonhos se realizem tanto quanto os seus, sem disputas e comparações tolas. Talvez até esse algum dia seja distante ou impossível ou pura ilusão de quem acredita demais no amor. Mas, quem sabe, vá lá, quem sabe, esse algum dia até já seja hoje.


Amor e verdade sempre!
Telma

segunda-feira, 14 de dezembro de 2015

carta para uma filha que se foi cedo demais

Escrevi essa cartinha há quase dois anos e só hoje a trago aqui, para agradecer do fundo do meu coração e da minha alma por estar realmente mais forte e confiante, plena de confiança de ter feito sempre o meu melhor. Acredito muito em destino e acho que nada nessa vida acontece por acaso, nem o pior e nem o melhor que está reservado para cada um. Pode ser tolo, mas é o que me faz seguir adiante quando a dor aparece.
Só tenho a agradecer por esse 2015 de tanto crescimento, aprendizado e coração leve, e por todas as pessoas que fazem parte da minha vida. Que 2016 seja pleno de realização, para colher todos os frutos que foram plantados com carinho, amor e dedicação! Sigamos com os pés sempre firmes na verdade e na lealdade, que todo o resto é só perfumaria e vaidade. Viva a essência!


 

Minha filha, hoje eu fiz uma coisa que há muito tempo não fazia, fui andar no parque, respirar ar puro, me sentir viva outra vez. É engraçado, mas ali eu me sinto mais viva. Nos momentos mais tristes da minha vida, andei, andei, andei, deixei muitas lágrimas escorrerem por debaixo dos meus óculos escuros. Pequenas figurinhas passavam por mim e me faziam pensar em você. Em por que você não me quis. Em por que não tinha conseguido resistir e nós não tínhamos uma linda história de milagre para contar. Nós contaríamos para você como você era pequenina quando nasceu, como conseguiu resistir bravamente, quantas vezes eu tinha ido te visitar até o dia em que, finalmente, você cresceu, ficou forte e foi para casa no meu colo. Seria uma história linda, de esperança e força. Mas ela não aconteceu. Ela terminou depois de muitas e muitas horas de apreensão e dor. A feição da médica não me enganou, eu já sabia o que estava acontecendo. Tanto que preservei todos que estavam ali de ver o que iria acontecer. Não fui compreendida, sabe, minha filha. Pensaram que eu estava sendo egoísta, quando na verdade eu estava apenas preservando. Mas o mundo é assim mesmo, nem sempre a gente é bem compreendido, mesmo quando tenta ajudar.
Sabe, minha filha, esse mundo aqui é tão doido ás vezes e tão bom em outras horas, que acho que eu passaria a vida escolhendo qual lado eu ia conseguir te mostrar. Do jeito que eu sou, talvez quisesse pintar as paredes do seu mundo de cor-de-rosa e deixar você ver só o lado bom do mundo e das pessoas. Mas, uma hora ou outra, ele iria mostrar seu lado mais esquisito e sombrio, e eu estaria do seu lado para te segurar a mão. Sabe, minha filha, talvez a gente passeasse muito de mão dadas por aí e eu iria te ensinar palavras engraçadas, sons mirabolantes e até a ver desenhos em nuvens. É, eu tenho essa mania desde pequena e continuo até hoje: em cada nuvem eu vejo um bichinho, um objeto ou um formato engraçado. E eu me divirto reparando nisso. Acho que daria muita risada com as suas interpretações nuvensísticas. Viu? Sem querer eu já te ensinei uma palavra que nem existe no dicionário.
Sabe, minha filha, ia amar comprar uns vestidos compridos e coloridos pra gente sair pra passear. Sonhei tanto com isso, sabia? Com uma filha de vestidos compridos e alegres saltitando pelas calçadas e me perguntando todas as perguntas possíveis sobre o mundo. Talvez eu nem soubesse responder a todas, mas a gente ia ter conversas intermináveis sobre o porquê dos porquês que o porquê é o porquê. Talvez você falasse "ai, mãe, como você é boba". E eu ficaria feliz com isso, sabia? Ficaria, sim. Posso sentir o sorriso que nasceria ouvindo você falar isso.
Sabe, minha filha, eu não sou uma pessoa afinada, mas você pode ter certeza de que a gente cantaria muito juntas. Em português, em inglês, em japonês, em bebelês ou numa língua só nossa. É isso: a gente ia criar um dialeto só nosso, que ninguém mais iria entender. Seria nossa diversão secreta.
Sabe, minha filha, quando eu vejo uma menininha aprendendo a andar, eu penso em você. Penso que eu estaria te ensinando a andar, a comer papinha, a falar. Penso que eu já teria passado muitas noites em claro e teria uma olheiras bem grandonas de urso-panda e estaria me achando a pessoa mais feliz do mundo. A mais realizada e a mais bonita também. Que eu teria o maior prazer e a maior alegria do mundo em ficar em casa com você, te dando banho, te ninando, te olhando, te cuidando. Não ia ter programa no mundo que me deixaria mais feliz. O meu sonho era esse: ficar em casa com você, felizes. Preocupada com a água do banho, a temperatura da mamadeira, comprar fraldas, se estava gostando do leite. Colocar uma música bem baixinho pra você dormir cheirosa e com um sorrisinho lindo no rosto. Andar pelo corredor pé ante pé para não te acordar e ver se já estava na hora de mamar de novo.
Sabe, minha filha, quando eu fiquei sabendo que você viria para cá, eu senti muito medo. Um medo enorme de não ser capaz, de não dar conta, de ser preocupada demais, de quando eu fiquei doente, nem sei do quê. Mas o medo foi passando. Aí, eu só queria que todo mundo visse a minha barriga, mas ela não cresceu tanto assim. Eu ficava triste quando as pessoas não percebiam que você estava ali, sabia? Eu queria que todo mundo visse, mas não deu tempo.
Você estava forte quando te vi da última vez, cresceu direitinho, estava toda serelepe lá na aguinha da minha barriga. Devia ser uma menina linda, mas não me deixaram te ver porque acharam que eu ia ficar mais triste ainda. E eu só guardei uma imagem sua no meu coração.
Minha filha, eu passei muito tempo tentando entender a razão. Na hora eu me senti rejeitada, sabia? Triste por você não ter me escolhido para ser sua mamãe, para te educar, te mostrar a vida, encaminhar seus passos. Fiquei me sentindo triste, muito triste de pensar que alguém não me queria sem nem mesmo me conhecer direito. Mas daí eu fui aceitando. Li muito pra tentar entender, me aliviei um pouco com um sonho bom, mas ainda não parou de doer e acho que nunca vai. Enquanto eu te escrevo essa cartinha, um monte de lágrimas caem dos meus olhos. Elas ficaram muito frequentes desde que você se foi, mas a mamãe tem conseguido seguir adiante. Às vezes muito triste, em outras mais alegre, mas a saudade dói demais sempre. E o amor por você também está guardado no meu coração para sempre.
De tudo o que eu aprendi nesse tempo, acho que eu percebi que Deus é maior do que o que a gente pode ver e que a nossa vida pode mudar num instante, o que me fez ter vontade de viver só um diazinho de cada vez. Se tudo isso aconteceu, deve haver alguma razão mais profunda, que eu, infelizmente, ainda não consegui entender. Mas eu tenho certeza de que um dia, em um sonho ou por alguém, você mesma vai me mostrar. Tenho uma fé profunda nisso.
Minha filha, espero que você esteja bem. Eu te sinto como uma estrelinha da guarda, que mora no meu céu que eu tanto olho e procuro nuvens engraçadas. Que talvez tenha cumprido seu restinho de jornada. Ou que talvez ainda venha para me encontrar, quem sabe. Li uma vez que apenas mamães especiais passam por isso, são escolhidas lá no outro plano porque são fortes o suficiente para aceitar. Não sei se é isso, mas às vezes me fez bem pensar assim...
Que Deus te abençoe, continue olhando por mim e me dando forças para me reerguer e seguir adiante. Te amo pra sempre.
Boa noite, minha estrelinha :)
Um beijo,
Mamãe

Amor e verdade sempre!
Telma De Luca

carta para uma filha que se foi cedo demais


















Escrevi essa cartinha há quase dois anos e hoje eu agradeço do fundo do meu coração e da minha alma por estar realmente mais forte e confiante, plena de confiança de ter feito sempre meu melhor, dentro das minhas possibilidades. 
Só tenho a agradecer por esse 2015 de tanto crescimento,aprendizado, coração aliviado e pessoas incríveis que apareceram e reapareceram na minha vida. Que 2016 seja de plenitude e realização, para colher todos os frutos que foram plantados com carinho, amor e dedicação!

 

 
Minha filha, hoje eu fiz uma coisa que há muito tempo não fazia, fui andar no parque, respirar ar puro, me sentir viva outra vez. É engraçado, mas ali eu me sinto mais viva. Nos momentos mais tristes da minha vida, andei, andei, andei, deixei muitas lágrimas escorrerem por debaixo dos meus óculos escuros. Pequenas figurinhas passavam por mim e me faziam pensar em você. Em por que você não me quis. Em por que não tinha conseguido resistir e nós não tínhamos uma linda história de milagre para contar. Nós contaríamos para você como você era pequenina quando nasceu, como conseguiu resistir bravamente, quantas vezes eu tinha ido te visitar até o dia em que, finalmente, você cresceu, ficou forte e foi para casa no meu colo. Seria uma história linda, de esperança e força. Mas ela não aconteceu. Ela terminou depois de muitas e muitas horas de apreensão e dor. A feição da médica não me enganou, eu já sabia o que estava acontecendo. Tanto que preservei todos que estavam ali de ver o que iria acontecer. Não fui compreendida, sabe, minha filha. Pensaram que eu estava sendo egoísta, quando na verdade eu estava apenas preservando. Mas o mundo é assim mesmo, nem sempre a gente é bem compreendido, mesmo quando tenta ajudar.
Sabe, minha filha, esse mundo aqui é tão doido ás vezes e tão bom em outras horas, que acho que eu passaria a vida escolhendo qual lado eu ia conseguir te mostrar. Do jeito que eu sou, talvez quisesse pintar as paredes do seu mundo de cor-de-rosa e deixar você ver só o lado bom do mundo e das pessoas. Mas, uma hora ou outra, ele iria mostrar seu lado mais esquisito e sombrio, e eu estaria do seu lado para te segurar a mão. Sabe, minha filha, talvez a gente passeasse muito de mão dadas por aí e eu iria te ensinar palavras engraçadas, sons mirabolantes e até a ver desenhos em nuvens. É, eu tenho essa mania desde pequena e continuo até hoje: em cada nuvem eu vejo um bichinho, um objeto ou um formato engraçado. E eu me divirto reparando nisso. Acho que daria muita risada com as suas interpretações nuvensísticas. Viu? Sem querer eu já te ensinei uma palavra que nem existe no dicionário.
Sabe, minha filha, ia amar comprar uns vestidos compridos e coloridos pra gente sair pra passear. Sonhei tanto com isso, sabia? Com uma filha de vestidos compridos e alegres saltitando pelas calçadas e me perguntando todas as perguntas possíveis sobre o mundo. Talvez eu nem soubesse responder a todas, mas a gente ia ter conversas intermináveis sobre o porquê dos porquês que o porquê é o porquê. Talvez você falasse "ai, mãe, como você é boba". E eu ficaria feliz com isso, sabia? Ficaria, sim. Posso sentir o sorriso que nasceria ouvindo você falar isso.
Sabe, minha filha, eu não sou uma pessoa afinada, mas você pode ter certeza de que a gente cantaria muito juntas. Em português, em inglês, em japonês, em bebelês ou numa língua só nossa. É isso: a gente ia criar um dialeto só nosso, que ninguém mais iria entender. Seria nossa diversão secreta.
Sabe, minha filha, quando eu vejo uma menininha aprendendo a andar, eu penso em você. Penso que eu estaria te ensinando a andar, a comer papinha, a falar. Penso que eu já teria passado muitas noites em claro e teria uma olheiras bem grandonas de urso-panda e estaria me achando a pessoa mais feliz do mundo. A mais realizada e a mais bonita também. Que eu teria o maior prazer e a maior alegria do mundo em ficar em casa com você, te dando banho, te ninando, te olhando, te cuidando. Não ia ter programa no mundo que me deixaria mais feliz. O meu sonho era esse: ficar em casa com você, felizes. Preocupada com a água do banho, a temperatura da mamadeira, comprar fraldas, se estava gostando do leite. Colocar uma música bem baixinho pra você dormir cheirosa e com um sorrisinho lindo no rosto. Andar pelo corredor pé ante pé para não te acordar e ver se já estava na hora de mamar de novo.
Sabe, minha filha, quando eu fiquei sabendo que você viria para cá, eu senti muito medo. Um medo enorme de não ser capaz, de não dar conta, de ser preocupada demais, de quando eu fiquei doente, nem sei do quê. Mas o medo foi passando. Aí, eu só queria que todo mundo visse a minha barriga, mas ela não cresceu tanto assim. Eu ficava triste quando as pessoas não percebiam que você estava ali, sabia? Eu queria que todo mundo visse, mas não deu tempo.
Você estava forte quando te vi da última vez, cresceu direitinho, estava toda serelepe lá na aguinha da minha barriga. Devia ser uma menina linda, mas não me deixaram te ver porque acharam que eu ia ficar mais triste ainda. E eu só guardei uma imagem sua no meu coração.
Minha filha, eu passei muito tempo tentando entender a razão. Na hora eu me senti rejeitada, sabia? Triste por você não ter me escolhido para ser sua mamãe, para te educar, te mostrar a vida, encaminhar seus passos. Fiquei me sentindo triste, muito triste de pensar que alguém não me queria sem nem mesmo me conhecer direito. Mas daí eu fui aceitando. Li muito pra tentar entender, me aliviei um pouco com um sonho bom, mas ainda não parou de doer e acho que nunca vai. Enquanto eu te escrevo essa cartinha, um monte de lágrimas caem dos meus olhos. Elas ficaram muito frequentes desde que você se foi, mas a mamãe tem conseguido seguir adiante. Às vezes muito triste, em outras mais alegre, mas a saudade dói demais sempre. E o amor por você também está guardado no meu coração para sempre.
De tudo o que eu aprendi nesse tempo, acho que eu percebi que Deus é maior do que o que a gente pode ver e que a nossa vida pode mudar num instante, o que me fez ter vontade de viver só um diazinho de cada vez. Se tudo isso aconteceu, deve haver alguma razão mais profunda, que eu, infelizmente, ainda não consegui entender. Mas eu tenho certeza de que um dia, em um sonho ou por alguém, você mesma vai me mostrar. Tenho uma fé profunda nisso.
Minha filha, espero que você esteja bem. Eu te sinto como uma estrelinha da guarda, que mora no meu céu que eu tanto olho e procuro nuvens engraçadas. Que talvez tenha cumprido seu restinho de jornada. Ou que talvez ainda venha para me encontrar, quem sabe. Li uma vez que apenas mamães especiais passam por isso, são escolhidas lá no outro plano porque são fortes o suficiente para aceitar. Não sei se é isso, mas às vezes me fez bem pensar assim...
Que Deus te abençoe, continue olhando por mim e me dando forças para me reerguer e seguir adiante. Te amo pra sempre.
Boa noite, minha estrelinha :)
Um beijo,
Mamãe



Amor e verdade sempre!
Telma De Luca

domingo, 6 de dezembro de 2015

consciência

 

Adotar a  "postura da consciência" não significa nem de longe refrear todos os impulsos ou paixões, mas sim prestar atenção, com esforço e boa vontade, às próprias atitudes. Não só em relação a nós mesmos, mas também em relação aos outros.
Já ouvi inúmeras vezes que "se a palavra 'desculpas' não existisse, as pessoas seriam melhores umas com as outras no dia a dia", e minha avó sempre dizia que "se tiver que me tratar bem e me dar flores, que faça enquanto eu estiver viva, porque depois não precisa mais". E não é que elas juntas vão dar na tão emblemática "é preciso amar as pessoas como se não houvesse amanhã"? E que ela, apesar de parecer meramente romântica ou passional, tem tudo a ver com a "postura da consciência"? "
"Amar as pessoas como se não houvesse amanhã" nada mais é do que estar realmente presente no momento presente, valorizando-o e agradecendo-o enquanto acontece, reconhecendo o milagre de cada minuto, de cada segundo, de cada respiração e do que damos e recebemos a todo instante. Estar consciente do que falamos, do como fazemos, ouvir o que os outros têm a nos dizer, não amanhã, não mais tarde, mas no momento em que somos solicitados. Às vezes somos chamados à consciência por alguém que está próximo e cabe a nós trilhar esse caminho ou não. Afinal, é estar disponível e aberto também. É viver amando, agradecendo, sentindo, recebendo, retribuindo, ouvindo e aceitando todas as dádivas e dores que a vida traz, assim mesmo, no gerúndio, no momento em que elas estão acontecendo. É parar para perceber o quanto estamos sendo agraciados em vários momentos. É também ter consciência do que nos faz mal e o que podemos fazer a respeito disso, mesmo que seja esperar a dor passar quando não há outro remédio. Talvez por isso eu não goste de drogas e de nada que me tire a consciência e a plenitude. Porque, para mim, tudo, absolutamente tudo, tem significado e uma força maior quando estamos conscientes e atentos. A vida é plena e exuberante, em toda força e vigor do agora. Um viva à consciência! Viva, consciência, viva!


Amor e verdade sempre!
Telma

Arte: Amanda Cass

quinta-feira, 3 de dezembro de 2015

paralelos



São Paulo. 3 da tarde. Ela pensa em um mantra, uma música, uma oração, qualquer artifício que traga de volta alguma concentração e foco. Começa todos, não termina nenhum. Tenta respiração profunda. Na terceira, está suspirando. Resolve o tal do desconectar para reconectar. Levanta para tomar café, ele costuma ter poderes mágicos sobre ela. Em pé na cozinha, xícara na mão, a cabeça vai longe de vez. Volta no tempo, no espaço, na vida. Lembra do primeiro sorriso, do primeiro olhar, da primeira conversa. Pensa em por que temos essa mania de lembrar desses "primeiros" quando amamos alguém. Por que guardamos esses momentos como ouro, mesmo quando tudo não faz mais sentido. Não acha explicação. Dá mais um gole. Lembra da bebedeira, do abraço bom, do cheiro gostoso. Pensa em por que temos essa mania de nos separar mesmo quando amamos alguém. Por que somos obrigados a guardar um tanto de amor quando queremos dividir com quem nos faz todo sentido. Não acha explicação. O café está acabando, tem um monte de trabalho esperando. Pensa em mandar um oi sem compromisso. Pensa no que ele falou sobre não querer se envolver. Volta ao trabalho. Pensa  que talvez seja melhor esquecer. Coloca os fones de ouvido. Não pensa, manda um "oi". O coração se alivia. A tarde passa rápido. A razão perdeu mais uma vez.
São Paulo. 3 da tarde. Ele checa os e-mails pela terceira vez, olha o celular, entra no aplicativo-cardápio-de-gente, qualquer artifício que ajude a terminar o trabalho do dia meio parado. Não chega nenhum e-mail importante, não enxerga ninguém na tela. Tenta mirar a planilha com calma. Na terceira linha, não sabe nem o que está olhando. Dá uma olhada em volta, todos concentrados, ninguém pra puxar conversa. Vai até a cozinha tomar um chá pra aquecer o dia frio. A cabeça vai longe. Pensa na companhia boa, na conversa boa, na identificação desde sempre. Pensa em por que tinham se entendido tão bem e ele estava se esforçando para aquilo não fazer nenhum sentido. Não acha explicação. O chá fica pronto. Lembra dos jantares, do beijo bom, do cheiro gostoso e doce. Pensa em por que tinha essa mania de sentir medo quando as coisas estavam dando certo. Por que estava com aquele amor guardado lá dentro se já tinha achado com quem dividi-lo. Não acha explicação. O chá está acabando, tem uma planilha enorme esperando. Pensa em marcar um café sem compromisso. Pensa em como ela ficou triste com a última conversa na semana passada. Volta ao trabalho. Pensa que talvez seja melhor deixá-la ser feliz sem suas complicações. Coloca os fones de ouvido. O coração sorri. Não pensa, responde "preciso te ver". A tarde se aquece. A coragem dela o faz querer ainda mais.



Amor e verdade sempre!
Telma

terça-feira, 1 de dezembro de 2015

quereres





Que mistério é esse que habita nossos quereres, saberes, pensares e sentires e elege, à nossa revelia e sem o menor constrangimento, alguém mais especial do que todos os outros. No primeiro olhar ou na conversa franca e aberta ao pé do fogão com a taça de vinho na mão deixando tudo mais leve. Ao final da primeira ou da milésima frase, depois do primeiro sorriso ou da centésima gargalhada. À primeira vista, à primeira palavra ou anos depois de tudo isso. Fosse a perfeição, estaríamos fadados à dor eterna e fria da tarde de inverno solitária. Fosse a inteligência, pediríamos curriculum vitae em uma lauda. Fosse a beleza, nos apaixonaríamos profundamente por fotos sem vida. Fossem os filmes favoritos e correríamos todos para a fila do cinema. Fosse nada disso e seríamos eternos buscadores. Assim, sem vergonha e sem juízo, entre nossas sinapses regulares e metódicas, vem o descompasso bom que chega a fazer cócegas no peito e na alma. Que vontade de ver de novo, de falar de novo, de tomar mais uma taça de vinho. De ouvir mais uma palavra, de dividir o silêncio e o sofá na tarde fria de inverno. De jantar, de tomar café da manhã, o café da tarde talvez. De comer pizza, croissant e de jantar no japonês. De ir ao cinema, comer pipoca e até de filme em javanês. Vontade. O especial mora na pura, simples e quase banal vontade.


Amor e verdade sempre!
Telma

cores



A inspiração para escrever me escapa, se faz de difícil, finge que não é por ela que estou procurando. Não aparece, deixa minhas ideias em branco. A cabeça chega até a lua, mas não a alcança. Inspiro e ela não vem. Branco, branco. Mais inspiro e me sinto feliz. Respiro, o ar insiste em suspirar. Suspiro e um sorriso aparece. Sorrio e um calor me percorre. O papel continua em branco. A inspiração tem tratado é de colorir a vida.


Amor e verdade sempre!
Telma