quarta-feira, 24 de fevereiro de 2016

espontaneidade!

Um marido recebeu fotos "sensuais" da mulher, todas retocadas e photoshopadas. À fotógrafa, ela havia pedido que seus "defeitos" fossem retirados, porque queria se sentir incrível naquelas fotos. O marido recebeu as fotos e enviou a seguinte carta à fotógrafa:

"Oi, Victoria.
Eu sou o marido da F.. Estou escrevendo porque recentemente recebi um álbum contendo imagens que você fez da minha mulher. Não quero que você pense que eu esteja chateado, mas queria dizer algumas coisas. Estou com a minha esposa desde que temos 18 anos, e temos duas belas crianças (...). 
Quando você apaga as suas estrias, você retira a documentação dos seus filhos. Quando você apaga as suas rugas, você retira duas décadas de sorrisos e as nossas preocupações. Quando você apaga as suas celulites, você retira o seu amor por cozinhar e todas as coisas boas que você comeu nestes anos.
Não estou dizendo isto para que você se sinta mal, você está apenas fazendo o seu trabalho e eu entendo. Na verdade, estou escrevendo para agradecer.
Ver essas fotos me fizeram perceber que, honestamente, não tenho dito à minha mulher o quanto a amo e a adoro do jeito que é.
Ela pensou que essas imagens com Photoshop eram tudo o que queria e gostaria que ela fosse.
Eu tenho que fazer melhor, e pelo resto dos meus dias eu vou celebrar a minha mulher em toda a sua imperfeição. Obrigado por me lembrar."


Pode ser apenas mais um "meme" de internet, pode nem ser uma história verdadeira, mas, enfim, acreditando que seja, eu digo: que coisa mais linda! E não porque acho que a gente deva, necessariamente, aplaudir e se conformar com todas as imperfeições que nos incomodem, mas em um relacionamento PRECISA existir algo muito mais profundo e vital do que os clichês!! Do que a cara sensual, do que surpresas forçadas e sem alma "que toda mulher gosta"!
Eu sempre achei esses ensaios "sensuais" uó, justamente por isso: porque geralmente fantasiam a mulher como se fosse "outra pessoa" (de um jeito bem brega, aliás) para que ela volte a ser "atraente" para o marido, para "reaquecer a relação". Como se a atração e o tesão se baseassem só nisso! Na aparência, na roupa, na maquiagem, numa mulher montada. Sério, se algum dia eu me tornar clichê o suficiente para fazer um ensaio desses, meu marido que se prepare para receber um álbum com uma mulher de camisola branca, vestidos larguinhos e um belo sorriso. Se depender de caras, bocas, maquiagem pesada e caras vulgares para conquistar alguém....será decepção na certa.
Talvez por isso também eu tenha um ódio fundamental de ensaios newborn. Coisa de mau gosto medonho! AMO fotos de criança, pezinho de criança, barriga de criança, acho as coisas mais fofas e "cuti-cuti" do mundo, mas aquelas fotos de crianças de quinze dias "moldadas" para parecerem personagens, pra mim, são assustadoras! Não consigo ver beleza onde não tem espontaneidade! Aquele serzinho colocado em uma cesta ou em cima de um bicho ou sei lá eu como me dá uma aflição danada! Parece uma massa amorfa, acho estranhíssimo.
Em ambos casos, a minha lógica é a mesma: excesso de produção tira a beleza mais fundamental, seja da mulher, seja do bebê, que é sua vivacidade, sua exuberância, seus defeitos, suas falhas, sua espontaneidade!! Pra que eu quero uma foto do meu filho parecendo forçadamente o que ele não é? Pra que eu quero uma foto do meu marido ou mulher forçadamente encarnando uma personagem? Ah, mas e as fantasias, elas são saudáveis....bla bla bla. Exatamente, das MINHAS fantasias, o ensaio-clichê-com-cara-de-sensual-para-reaquecer-a-relação não faz parte. Assim como ter um filho em ensaio newborn não faz parte dos meus planos ou desejos. Cada um na sua, mas que eu gostei da sensibilidade da carta desse marido...ah, isso eu gostei!

Menos clichês, mais espontaneidade!

Amor e verdade sempre!
Telma

quinta-feira, 18 de fevereiro de 2016

(in) quietude


 


Pode durar minutos, segundos, dias, horas. Na cama, na rua, no carro, no banho. Ela chega para todos, sem distinção. Às vezes trazendo saudade boa, de tempos bons e felizes. Ou a lembrança doída e forte, de tempos difíceis e pesados. Pode ser ansiedade do futuro que parece demorado. Ou a dúvida fazendo caminhos feito formiga atrás de açúcar dentro da nossa cabeça confusa. O sentimento que mexe com a gente e não tem explicação. Ou alguma certeza que a gente já tinha deixado esquecida lá na caixinha das nossas certezas douradas e, rebelde, resolveu acordar de repente. Saudade do que a gente não viveu também traz. Aquela tal vontade que não parece a mais certa ou adequada ou lógica...traz também. Borboleta na  barriga, abelha na colmeia, passarinho querendo voar. É tão natural, que a gente nem sabe falar se é boa ou incômoda. Nos momentos mais inesperados, mexe lá dentro, revira um tanto de pensamentos, ideias e sentimentos. Mas a inquietude sempre passa. Pode nem deixar rastro, feito nuvem branca em dia de sol. Ou deixar uma mala cheia de certezas dentro do peito, que lá pelas tantas começa a ficar leve e boa de carregar... é a quietude construindo sua morada, finalmente.

Amor e verdade sempre!
Telma

quinta-feira, 11 de fevereiro de 2016

cinzas



Saiu pra comprar pão e sentiu no ar a estranha mistura de samba, sexo, suor, cerveja e xixi. Viu uns largados pelo chão, outros tentando balbuciar um grunhido, marchinha, axé, funk, sei lá o quê.  Restos de risadas, vozes alteradas, aquilo no canto do olho da moça que passava desinibida e quase pelada pareciam lágrimas. Na recém-comprada tv 42 polegadas da recém-reformada padaria do Seu Januário, a reprise dos desfiles  parecia um looping sem fim, repetição ad eternum de sorrisos, bundas e peitos plastificados que pipocavam na tela pro delírio já meio broxa dos que tomavam sua média no balcão. O cheiro do café forte e do pão fresco trazia todo mundo de volta à realidade, à vida prosaica e bem menos purpurinada do dia a dia. Era o antídoto dos excessos. O pó de pirlimpimpim às avessas. O chacoalhão depois do Réveillon tardio e prolongado que inaugura de verdade os trabalhos do ano. Ao meio-dia, a vida voltaria ao normal.



Amor e verdade sempre!
Telma