segunda-feira, 18 de abril de 2016

dentro




Dentro de mim você pode ser herói, vencedor, perdedor, ou só alguém que sorri bonito. Na minha cabeça, você pode existir, nascer, morrer, renascer, eternizar. No meu coração você pode ser eu, pode ser todos, pode ser ninguém. Posso te imaginar de mil maneiras tortas, lindas, tristes, belas ou nada. Posso te ver em histórias com começo, meio e fim. Ou em sonhos coloridos e cheirosos de noites calmas. Posso te imaginar na minha vida pra sempre. Posso te recriar em partes díspares, como um delírio feliz. Posso te deduzir como o sorriso da manhã. Posso tudo quando te olho. Você já existe em mim e nem sabe. Talvez nem eu, amor, nem eu.


Amor e verdade sempre!
Telma

quarta-feira, 13 de abril de 2016

multidão





Que a vida não me prive do sol, da chuva, do frio, do calor, das folhas caindo, do arco-íris, da saudade, da alegria, da tristeza, da saúde. Não me impeça de olhar as nuvens e ver significado em cada uma delas.Não me coloque acima de nada nem de ninguém, nem mesmo dos meus próprios sonhos e verdades. Que a vida mantenha minha vontade, minha obstinação, meu cuidado com os que me cercam. Que as palavras feitas para machucar não me atinjam nem me façam perder minha paz interior. Que meus olhos não leiam agressões nem leviandades de quem não me conhece de verdade. E nem  tampouco conhece a própria verdade. Que a vida me mantenha suave e serena e me faça enxergar cada outro como se fosse eu. Que eu jamais use minhas próprias frustrações como desculpa para fazer mal a quem quer que seja. Que a vida jamais me faça perfeita ou conformada, mas apenas consciente de que sou apenas mais uma no meio da multidão. Enquanto nos acharmos todos grandiosos e "merecedores", o mundo não passará de uma disputa insana e triste. Pés no chão, fé no coração, muito amor pra seguir em frente sempre.

Amor e verdade sempre!
Telma

quarta-feira, 6 de abril de 2016

paralelos



São Paulo. 3 da tarde. Ela pensa em um mantra, uma música, uma oração, qualquer artifício que traga de volta alguma concentração e foco. Começa todos, não termina nenhum. Tenta respiração profunda. Na terceira, está suspirando. Resolve o tal do desconectar para reconectar. Levanta para tomar café, ele costuma ter poderes mágicos sobre ela. Em pé na cozinha, xícara na mão, a cabeça vai longe de vez. Volta no tempo, no espaço, na vida. Lembra do primeiro sorriso, do primeiro olhar, da primeira conversa. Pensa em por que temos essa mania de lembrar desses "primeiros" quando amamos alguém. Por que guardamos esses momentos como ouro, mesmo quando tudo não faz mais sentido. Não acha explicação. Dá mais um gole. Lembra da bebedeira, do abraço bom, do cheiro gostoso. Pensa em por que temos essa mania de nos separar mesmo quando amamos alguém. Por que somos obrigados a guardar um tanto de amor quando queremos dividir com quem nos faz todo sentido. Não acha explicação. O café está acabando, tem um monte de trabalho esperando. Pensa em mandar um oi sem compromisso. Pensa no que ele falou sobre não querer se envolver. Volta ao trabalho. Pensa  que talvez seja melhor esquecer. Coloca os fones de ouvido. Não pensa, manda um "oi". O coração se alivia. O relógio acelera. A razão perdeu mais uma vez.
São Paulo. 3 da tarde. Ele checa os e-mails pela terceira vez, olha o celular, entra no aplicativo-cardápio-de-gente, qualquer artifício que ajude a terminar o trabalho do dia meio parado. Não chega nenhum e-mail importante, não enxerga ninguém na tela. Tenta mirar a planilha com calma. Na terceira linha, não sabe nem o que está olhando. Dá uma olhada em volta, todos concentrados, ninguém pra puxar conversa. Vai até a cozinha tomar um chá pra aquecer o dia frio. A cabeça vai longe. Pensa na companhia boa, na conversa boa, na identificação desde sempre. Pensa em por que tinham se entendido tão bem e ele estava se esforçando para aquilo não fazer nenhum sentido. Não acha explicação. O chá fica pronto. Lembra dos jantares, do beijo bom, do cheiro gostoso e doce. Pensa em por que tinha essa mania de sentir medo quando as coisas estavam dando certo. Por que estava com aquele amor guardado lá dentro se já tinha achado com quem dividi-lo. Não acha explicação. O chá está acabando, tem uma planilha enorme esperando. Pensa em marcar um café sem compromisso,ela adora café. Pensa em como ela ficou triste com a última conversa na semana passada. Volta ao trabalho. Pensa que talvez seja melhor deixá-la ser feliz sem suas complicações. Coloca os fones de ouvido. O coração sorri. Não pensa, responde "preciso te ver". A tarde se aquece. A coragem dela o faz querer ainda mais.



Amor e verdade sempre!
Telma