terça-feira, 27 de junho de 2017

beleza


não precisar
e, ainda assim, querer
não depender
e, muito mais ainda, querer
ter horas de fortaleza
e, ainda bem, querer
infinitas horas de fraqueza
e, apenas e tão somente, querer
quanta pureza
ser livre e querer perto
quanta riqueza
poder tudo e querer junto
quanta certeza
saber muito e querer aprender
a beleza do querer
vive e sobrevive
na coragem de quem
entre tantos outros
escolhe a simplicidade
de olhar nos olhos
e com profunda sinceridade
não tem vergonha de dizer
eu quero
e quero muito
apenas entenda
eu escolhi
querer você


Amor e verdade sempre!
Telma

segunda-feira, 26 de junho de 2017

minimalista





É de  pequenezas
Pequenas gentilezas
É feito de presente
De momento
De instante
De tempo
De calor
De sorriso
De passos
De minutos a mais
De horas a menos
De vida real
De corpo
De alma
De coração
De rotina
De loucura
De mansidão
De vontade
O amor não é de grandiosidades
Quase sempre


























Amor e verdade sempre! Telma

passos









Não existe autossuficiência no amor
Somos todos incompletos
Imperfeitos
Procurando olhares e sorrisos que nos tragam paz

Precisando de afagos
De carinhos
De atenção
De nos sentir necessários
Ou ao menos queridos

Não existe perfeição no amor
Somos todos falhos
Um tanto quanto medrosos
Procurando calor e suavidade que aqueçam o coração

Não existe dureza no amor
Somos todos apenas
Tão somente
E apenas
Continentes inteiros
Procurando alguém com coragem pra nos descobrir
Passo a passo


Amor e verdade sempre!
Telma

domingo, 25 de junho de 2017

paz









Pássaro fora da gaiola, revoada no final da tarde, calor que pega de leve na pele só pra trazer o prazer da quentura no coração. A casa antiga, linda e cheia de barulho de vida. As árvores no quintal, nosso cachorro correndo feito bola peluda desajeitada e sem rumo, cheiro bom de comida pra receber os amigos. Os temperos frescos na janela da cozinha, a música, o tatibitate de criança falando sua língua própria e tão universal. O sol se pondo, a brisa fresca trazendo o cheiro de dama da noite e alegrando até os narizes mais sisudos e distraídos. Água fresca, vinho bom, paz na alma. O afago que chega pra trazer arrepio, o beijo roubado no meio do caminho, o sorriso que não pertence só a mim. O amor que faz morada, a delicadeza que costura palavras, o carinho do respeito aos sentimentos que habitam quem vive ali. Nesse cenário de vida, não tem espaço para personagens, nem para ilusão. O amor e a verdade andam de mãos dadas pelo jardim, espalhando sementes de bem-querer, plantando mudas de paixão e afeição . E não é que de vez em quando também nascem pés de fantasia e imaginação, fartos e generosos, para servir de sombra nos dias de sol causticante e acolhida nos dias de tempestade? A vida correndo sem pressa, no passo e no compasso da felicidade, agradecida pela certeza de que  vida só vale a pena quando o coração está em paz.


Amor e verdade sempre!
Telma

sábado, 24 de junho de 2017

renovado






Porque eu sou dessa gente que acredita no amor. Porque eu espero que todos os dias as pessoas tenham um motivo para sorrir e agradecer ou pelo menos para se sentirem vivas, mesmo sabendo que nem sempre é assim. Porque eu espero que um dia a gente consiga ver beleza em tudo, paz em todos os lugares e mais lágrimas de emoção e felicidade do que de dor. Porque eu acredito que nossas alegrias estão guardadas em balões coloridos e em sorrisos sinceros, mesmo sabendo que os balões às vezes voam para longe de nós. Porque eu acredito que a felicidade está adormecida em insuspeitos rostos sérios e cansados que esperam por alguém que lhes faça nascer de novo e de novo e de novo todos os dias. Porque eu acredito na vida que renasce, brota e refloresce cotidianamente. Porque há de ser assim, o nosso esforço há de fazer o mundo nascer renovado algum dia. Há, sim.

Amor e verdade sempre! 
 Telma

simplicidade






Falhamos. Aos montes e todos os dias. Pré-julgamos, damos veredictos, assinamos sentenças, muitas vezes sem dar chance de defesa. Fazemos escolhas fúteis, temos motivos para nos arrepender, ofendemos quem não merece, nos desrespeitamos, somos egoístas e invejosos. Sofremos. Todos os dias. Por grandes problemas, pequenos acontecimentos e chateações do cotidiano. Por desamor, solidão ou saudade. Por descaminho, falta de rumo ou necessidade. Mas acertamos também. Muito e todos os dias. Quando decidimos dar amor, quando escolhemos a imperfeição, quando entendemos nossas falhas, aceitamos nosso próprio perdão, trilhamos o caminho da verdade, confiamos em nós mesmos, assumimos nosso leme, nos dedicamos, ajudamos, sorrimos, ouvimos quem sofre. No sorriso, na lágrima, no abraço apertado, no beijo arrebatado ou no carinho sereno, sentimos. Na luz, na sombra, no frio da solidão, no calor da amizade, seguimos. Falhamos, sofremos, acertamos, vivemos. Procurando a simplicidade do coração, vivemos.

Amor e verdade sempre!
Telma

sexta-feira, 23 de junho de 2017

gabrielas





não existe beleza em gabriela
isso de eu nasci assim
eu cresci assim
eu sou mesmo assim
vou ser sempre assim
é coisa de gente acomodada
encostada
autocentrada
que não olha ao redor
a vida é essência
mas é mudança
é verdade
sem arrogância
se nada muda por si
e nem por ninguém
se não se mexe um passo
pra ir mais além
talvez seja hora
de repensar...
o que vim aprender aqui?




Amor e verdade sempre!
Telma

segunda-feira, 5 de junho de 2017

texto

Resolveu revisitar os últimos meses, em um passeio antecipadamente nostálgico pelas futuras memórias do ciclo prestes a terminar. Lembrou da chegada, de como prestou atenção em cada olhar curioso e um pouco assustado e estranhou o fato de  não haver alguém explicitamente feliz naquela sala. Ninguém exalando alegria pelos poros ou felicidade pelos olhos. Nem ela, que vinha de três anos absurdamente difíceis e dolorosos, e só agora respirava com certa tranquilidade e alívio. Pensou naquele lugar como um descanso para os pensamentos, que se ocupariam de lugares menos sensatos, menos responsáveis ou menos obrigatórios . Talvez ali encontrasse de volta o caminho, o rumo, o sossego, a paz. Talvez encontrasse algum consolo ou sonhos iguais aos seus. Tentou se desfazer das expectativas. Talvez não encontrasse nada, afinal. Um sorriso tímido ali, um olhar perdido acolá, uma conversa desencontrada durante o café. Muito do que já tinha aprendido, muito do que nunca tinha ouvido falar. Um mundo novo de possibilidades ou uma pausa para si, só o tempo a mostraria o que estava fazendo naquele lugar, naquele momento, com aquelas pessoas.
Lembrou de quem a tocou de alguma maneira logo no início. A mulher que estava ali para realizar seu sonho guardado na gaveta há tempos, a garota que já havia feito um viral de sucesso na internet, o moço de olhos profundos e tristes que falou sobre sua experiência como empreendedor, o carioca com cara de poucos amigos e olhar um tanto intimidador, o psicólogo que sentou ao seu lado e trocou não mais do que três palavras durante o dia todo. Como tem o péssimo hábito de ir ou não com a cara das pessoas, fez alguns julgamentos precipitados. Como tem o ótimo hábito de dar segundas chances, descobriu preciosidades escondidas no fundo daquele mar de desconhecidos buscando algum mapa da mina. Como tem o tímido hábito de não falar muito dos seus sentimentos, sabe que vai deixar muitas dessas pessoas lhe escaparem pelos dedos, por puro medo de chegar mais perto e deixar claro o quanto quer que elas fiquem na sua vida. 
Ao longo do tempo, ouviu fragmentos de histórias, conheceu equilíbrios e desequilíbrios, se sensibilizou com o esforço que alguns faziam para estar ali todos os sábados. Encontrou dores mais profundas do que a sua, caminhos mais tortuosos e doloridos do que o seu, teve vontade de saber mais. Conviveu com gente que lhe agregou pouco, abriu o coração para quem soube chegar mais perto, mal trocou palavras com pessoas que poderiam ter tanto a lhe mostrar também. 
Deixou para trás a "mulher que estava ali para realizar seu sonho guardado na gaveta uma guerreira" e conheceu Rosana, uma obstinada sensível e preocupada com os outros, até mais do que com ela mesma. Esqueceu a "garota que já tinha feito um viral" e conheceu a Paula, uma menina madura em busca de auto-conhecimento e paz interior, cheia de ideias e vontade de fazer acontecer.  Ronaldo deixou de ser apenas o "moço de olhos profundos e tristes" e se mostrou dono de um coração generoso e machucado que corajosamente busca os sonhos que o façam sentir a vida correndo nas veias e tragam de volta o sorriso. Descobriu que o "carioca com cara de poucos amigos", na verdade era Guilherme, sujeito sensível que procura nos retratos da vida a realização e na realização dos desejos mais profundos, o que lhe traga mais sentido. Não trocou mais do que meia dúzia de palavras com o psicólogo que nunca mais sentou ao seu lado.
Nesse tempo, domou muitas de suas inseguranças, descobriu outras mais, iniciou outro caminho profissional. Se entristece quando pensa que os sábados vão perder um pouco da cor e da graça, das risadas e da cerveja, do compromisso descompromissado e prazeroso. Que muitos daqueles rostos serão memórias logo mais. Que outros serão saudade. Torce para que alguns façam parte da sua vida, mesmo sabendo que nem sempre é assim. É que ela tem essa mania de se incomodar quando pensa em nunca mais. Agradece em pensamento a cada um deles e pede aos céus que eles se encontrem logo ali na próxima esquina. E deseja do fundo do coração que então todos estejam, enfim, explicitamente felizes. Simples e explicitamente felizes.



Amor e verdade sempre!
Telma De Luca